Como deixar de ser uma marionete das suas emoções

Olhe para si, tão seguro de si mesmo e inteligente que é. Não tem a sensação de ter sido abençoado com uma inteligência superior à maior parte da população do planeta Terra? Claro que tem. É pena que seja a única pessoa a conseguir ver isso. 

O resto do mundo não tem capacidade para ver o seu brilhantismo, falta-lhe o equipamento adequado nos seus cérebros para poderem assimilar aquilo que só você pode entender. Bem, não sejamos tao extremos. 

Você e mais algumas pessoas, mas muito poucas. Porque a grande, grande, GRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANDE maioria das pessoas está simplesmente condenada a tomar más decisões e a fazer asneira.  

Sim, porque quando a vida corre mal às outras pessoas, é porque fizeram asneira. Ao contrário de quando lhe corre mal a si, que é quando algum azar acontece. 

Já se perguntou porque é que pensa em si mesmo como tendo algo de especial e que o destaca da maioria das pessoas? Aquilo que o faz sentir-se especial e diferente, são as suas emoções.  

É também aquilo em que se baseiam grande parte das suas decisões, e aquilo que faz com que você arranje desculpas argumentado mentalmente consigo mesmo sobre o porquê de não ter concretizado grande parte dos seus objetivos. 

Você e eu temos um problema em mãos não temos? Quando digo você e eu, é porque eu também tenho esse problema. Tal como você, também eu, sou uma marionete das minhas emoções. 

E tal como você, também gosto de acreditar que estou no controlo, e que tudo aquilo que faço é lógico e racional, e que sou um espetáculo de pessoa. Até que me pergunto: 

Se somos tão inteligentes, porque é que temos desgostos, problemas e tormentos? 

Se respondeu “por causa daquilo que acontece aleatoriamente nas nossas vidas” lamento, está errado. A resposta mais sensata seria “porque tomamos más decisões”. Sim é mesmo isso, e vamos continuar a tomar

O que sucede, é que somos umas marionetes das nossas emoções. Somos umas marionetes antes de tomar decisões, mesmo quando estas têm um final feliz (vá deixe-se de trocadilhos). 

Somos também umas marionetes depois de tomar más decisões, quando estamos em agonia e nos perguntamos porque é que a vida tem de nos fazer passar por um sofrimento tão atroz. 

Há coisas que fazem parte da vida. Existem eventos sobre os quais não temos qualquer controlo e para os quais não existe preparação possível. Para esses eventos, podemos aprender com eles se conseguirmos minimizar a forma como nos atiram para o fundo do poço. 

A ciência traz noticias formidáveis! 

Quando faço pesquisas para um artigo, vejo quase sempre algumas Tedtalk sobre o assunto acerca do qual estou a escrever. Uma vez ou outra, encontro estudos que me deixam completamente boquiaberto e mudam algumas das minhas crenças. Por vezes, crenças que carregava comigo há anos. 

Eu já acreditava ser possível deixarmos de sermos umas marionetes das nossas emoções se assim o desejássemos. O que eu não estava há espera de descobrir, e que nós nunca fomos realmente escravos das nossas emoções, mas sim de nós mesmos. 

Enganamo-nos a nós próprios acreditando que estamos a mercê daquilo que os químicos libertados pelo nosso cérebro nos fazem sentir. Julgamos que as emoções nascem connosco, e são desencadeadas automaticamente de acordo com determinadas situações. 

A realidade, segundo a professora de psicologia e investigadora Lisa Barrett, é que não existe nenhum circuito no nosso cérebro responsável pelas nossas emoções. Não nascemos com uma programação definida. 

“As emoções não estão dentro do nosso cérebro à nascença. São apenas criadas.” 

– Lisa Barrett

Com base em décadas de evidência de pesquisa científica, Lisa Barrett afirma que as emoções são previsões do nosso cérebro, palpites que este constrói no momento. Se isto fosse dito por alguém que não fosse um investigador de renome, seria impossível de acreditar! 

Há uma informação que surge através destas pesquisas e que uma vez entendida, pode nos dar um poder assombroso. O poder de ditarmos o nosso destino. Para ser sincero, fiz até questão de ver esta palestra três vezes para que esta informação ficasse bem gravada na minha cabeça: 

“O cérebro não reage ao mundo à nossa volta. O cérebro constrói e prediz a nossa experiência do mundo, usando as nossas experiências passadas”. 

– Lisa Barrett

O nosso cérebro está habituado a fazer previsões. Ao fazer previsões, utiliza as nossas experiências passadas para preencher a informação em falta. 

“As emoções que parecem acontecer-lhe, são na realidade criadas por si”.  

– Lisa Barrett

Observe-se como se fosse um estranho.

Na presença de emoções fortes, qualquer um de nós se transforma num fantoche. E o que é que os fantoches costumam fazer? Colocarem-se em situações que levam as outras pessoas a serem entretidas. 

Todavia, aquilo que os outros pensam deve ser o menor das suas preocupações. O que interessa, é que você deixe de ser comandado por uma força, que embora criada por si, leva-o a agir de uma forma que nada acrescenta à sua vida. 

As ações e as experiências que você cria hoje, tornam-se nas previsões do seu cérebro amanhã.  

Quando sentir uma emoção muito forte, e estiver prestes a reagir de uma forma que lhe vai causar arrependimento, observe-se a si mesmo como quem está de fora. Imagine-se um estranho a olhar para si, a observar-se sem qualquer emoção e sem qualquer julgamento. 

Este exercício leva alguma prática até ter resultados, mas à medida que o pratica, vai desenvolvendo a habilidade de se observar a si mesmo racionalmente antes de dar um tiro no próprio pé, e assim, evitá-lo. 

Como falar consigo mesmo. 

A maneira como falamos connosco dita grande parte da forma como reagimos aos acontecimentos da vida. Todos nós falamos connosco próprios. (Mas caso tenha conversas inteiras consigo mesmo em voz alta e em espaços públicos, por favor faça um check-up neste local). 

Quando falamos para nós mesmos, muitas das coisas que nos dizemos são destrutivas e mesquinhas. Sinto-me de certa forma abençoado por ter descoberto, ainda na adolescência, o poder das palavras que utilizamos quando falamos connosco próprios. 

Self-talk e afirmações.

Nos livros de autoajuda mais antigos, costumava dar-se um grande destaque ao self-talk e às afirmações. A diferença entre os dois, é que o self-talk é habitualmente inconsciente, e toda a gente o faz, enquanto que as afirmações são frases que repetimos propositadamente para introduzir crenças no nosso subconsciente. 

Lembro-me de um episódio que aconteceu quando tinha 16 anos, onde fiquei a conhecer o espantoso poder das afirmações.  

Fiz um exercício que aprendi num desses livros de autoajuda antigos, que consistia em meter cerca de 5 moedas numa mão, e passar uma moeda de uma mão para a outra, de olhos fechados, enquanto se repetia uma afirmação 5 vezes de seguida por cada moeda. 

A afirmação que escolhi foi “Eu tenho muito charme” (tinha 16 anos ok). No dia a seguir, na escola, uma das minhas amigas disse-me exatamente “Não sei o que é que tens hoje, mas estás com um charme!” 

Senti-me como alguém que tinha acabado de descobrir o maior segredo do universo, juntamento com os números da lotaria para os próximos 20 anos e o elixir da vida eterna. 

Poderá dizer-me “isso é apenas o efeito placebo”, ao que eu lhe respondo “é precisamente essa a ideia”.  

Que as afirmações resultam, disso não tenho a mínima duvida. No entanto, têm de ser feitas como forma de motivação ou para desenvolver alguma qualidade, como carisma, confiança, ou mesmo sentido de humor. 

De nada serve fazer afirmações como “quero receber um Lamborghini Aventador de prenda de anos”.  

Porque isso não vai acontecer. 

Num artigo publicado no site da Walden University, é mencionado que substituir as nossas mensagens negativas por positivas, ajuda a desenvolver a nossa confiança, tal como pode trazer resultados surpreendentes nas nossas vidas. 

Não seja uma marionete das emoções dos outros.

Outra aprendizagem na palestra de Lisa Barrett, é a de que somos responsáveis pela forma como identificamos as emoções nas outras pessoas. Se as emoções dos outros têm efeito em si, significa que você sente empatia e que não é um psicopata.  

Contudo, não precisa de se deixar afetar ao ponto de ser totalmente vulnerável às emoções dos outros. Chega bem sermos vulneráveis às nossas próprias emoções. 

O mero conhecimento de que as emoções que você interpreta nos outros, é na realidade uma construção projetada por si, pode ajudá-lo a não ser uma marionete das emoções de terceiros. 

Domine a sua marionete. 

Se não consegue deixar de ser uma marionete das suas emoções, faça como eu e assuma o comando da própria marionete. 

O nosso cérebro cria a nossa realidade com base no passado. O momento de agora rapidamente fará parte da sua história. Tal significa que você pode decidir AGORA qual será a experiência que o seu cérebro lhe vai dar no futuro. 

Pode fazê-lo estando atento à maneira como se comporta, às suas atitudes e aos seus pensamentos. Faça escolhas hoje que ajudem o seu cérebro a ajudá-lo a si no futuro. 

No final da Tedtalk da Lisa Barrett, escrevi esta nota no meu telemóvel, e faço intenção de a ler todos os dias ao acordar: 

“O que é que vou demonstrar hoje ao meu cérebro para ele criar amanhã? Que emoções fará o meu cérebro fazer-me sentir amanhã, com base nas minhas atitudes, decisões, e na maneira como criei a minha experiência da realidade, hoje?”

9 comentários em “Como deixar de ser uma marionete das suas emoções”

  1. Nossa, me vi muito nesse texto. Eu era uma pessoa extremamente sentimental… achei no impulso e com isso tomava várias decisões erradas.
    Fui trabalhando aos pouquinhos e hoje sou bem racional… raramente sou levada por emoções.

    Responder
    • No início é uma luta constante, mas quando percebemos que não ganhamos nada em perder o controlo ficamos mais calmos em situações em que costumávamos perder a calma. Pelo menos comigo foi assim.

      Responder
  2. Que papo mais louco rsrs vc sabe que eu tive que ler o texto umas duas vezes para conseguir “entender” ou internalizar rsrs Eu gosto bastante desse assunto e amo ainda mais pesquisar sobre ele, já até anotei o nome da Lisa para pesquisar mais depois 🙂
    Eu concordo e discordo ao mesmo tempo rsrs acho que o meio em que vivemos contribui bastante para “gerar” as emoções que nosso cérebro “imprimi” e não só o passado.
    Alias eu acho que entender essa coisa de emoções é complicado (olha eu sendo marionete rs) e controlar é um desafio diário, pelo menos pra mim rs

    Responder
    • Como eu te compreendo Erica! Eu tive que ver a Tedtalk várias vezes até perceber bem aquilo que estava a ser explicado e como o aplicar! Concordo que o meio em que vivemos contribui muito para gerar emoções. Até a maneira como crescemos e fomos educados tem impacto na maneira como sentimos, na minha opinião. Entender as nossas emoções é de facto complicado, mas penso que se conseguirmos ir atrás dos nossos sonhos sem deixar que nenhuma emoção nos paralise, então não precisamos de nos preocupar com isso. 😉

      Responder

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José Lança

José Lança

José Lança é o criador do blog Desbloqueie-se, onde milhares de pessoas espalhadas pelos quatros canto do mundo já foram procurar inspiração para os seus desafios. Dedica o seu tempo à escrita de não ficção, explorando temas que abrangem desde o desenvolvimento pessoal ao condicionamento social, passando por tudo aquilo que tem impacto na produtividade pessoal de cada indivíduo. Acredita que o seu propósito de vida é atingir a maestria num único campo, ao longo de toda a sua vida.
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