Redes sociais – Quando a sua vida é apenas uma simulação

Recentemente, apaguei todas as minhas redes sociais, menos o Facebook.

Não sei por mais quanto tempo o irei manter. A única vantagem que este tem para mim é a de me permitir contactar com amigos e familiares noutros países, algo que pode ser feito utilizando o WhatsApp de qualquer das formas.

Ao longo deste ano de 2020, tenho vindo por diversas vezes a desativar a minha conta. Caso não saiba, ao desativar uma conta de Facebook, esta não é apagada permanentemente. Para a reativar basta fazer o login normalmente.

A qualquer momento posso voltar atrás e recuperar o meu perfil, voltando a ficar com tudo tal como deixei. A opção de apagar a conta permanentemente também existe. Será provavelmente o meu próximo passo.

Confesso que reativar a minha conta nunca me fez sentir qualquer alegria. Nunca senti necessidade de matar saudades uma vez que estas não existiam.

As redes socais retiram mais valor do que acrescentam.

O Facebook retirou muito mais valor à minha vida do que acrescentou.

Problemas nos relacionamentos; desperdício de tempo em marketing que teria sido melhor empregue a escrever; assistir a pessoas a atacarem-se umas às outras escondidas atrás de um teclado; absorver o negativismo de publicações tóxicas; dinheiro gasto numa página de Facebook que apenas serve para impressionar hipocritamente outras pessoas, sem trazer qualquer valor genuíno de volta.

As redes sociais são na minha opinião, um dos piores serviços criados para a raça humana. Conseguiram hipnotizar biliões de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro. A maneira como vivem alterou-se drasticamente.

Mudaram as suas rotinas e os seus hábitos. Planeiam as suas atividades a pensar nas fotos que poderão tirar para impressionar os outros.

Não importa se são felizes. Não importa se são completamente miseráveis. O que importa, é que os outros acreditem que levam uma vida fantástica.

Simular uma mentira tornou-se um padrão de vida. Fingem que estão sempre no seu melhor, escondendo a característica com o qual poderiam criar uma verdadeira conexão com os outros – vulnerabilidade.

A vida escapa-lhe por entre os dedos.

Mãos com algemas em teclado

Os viciados em atenção vão certamente discordar, mas pensem em tudo aquilo que poderiam ter feito com o tempo que perderam nas redes sociais.

Estive à espera que passasse a loucura do confinamento por causa do Covid para escrever este artigo, uma vez que o Facebook tem sido usado por muitos para manter contacto com familiares e amigos.

Não digo para se manter a par daquilo que se passa no mundo, uma vez que não existe qualquer controlo sobre a autenticidade das notícias publicadas.

Até os comentários nas publicações são muitas vezes uma fraude, não refletindo de forma alguma as ideias de quem os faz. Preocupam-se apenas em receber aprovação de terceiros em vez de expressarem as suas opiniões verdadeiras.

Quando deixam de viver para convencer os outros de que vivem.

Mão a segurar máscara por cima de railes.

Ultimamente, quando passo pelo Cais do Sodré a conduzir, tenho vindo a observar um cenário bizarro, diria até mesmo grotesco.

Vejo grupos de pessoas, por vezes até pessoas sozinhas, a filmarem-se com os seus smartphones fingindo que estão a passar bons momentos. Quer estejam simplesmente a caminhar, a andar de bicicleta, ou numa esplanada com amigos.

Observei coisas como um casal a subir para cima de uma mota, enquanto que um amigo os filmava a arrancar e a desaparecer no horizonte.

Um grupo de três rapazes, sendo que um caminhava atrás dos outros dois de maneira a filmá-los, enquanto estes tentavam caminhar com estilo (confesso que sem qualquer sucesso).

Observo diariamente pessoas sozinhas na rua a fotografarem-se ou a filmarem-se a fazer poses. Como é que chegámos a este ponto?

“Por causas das redes sociais, as pessoas estão mais preocupadas em ter um bom desempenho a fingir felicidade, do que a serem verdadeiramente felizes.”

Antes das redes sociais, já achava o ato de sorrir para fotografias como antinatural e falso, a não ser que estivesse a sorrir genuinamente por algum motivo.

Ver pessoas a filmarem-se a fingir desfrutar da vida eleva esta bizarrice a um outro nível.

A cada dia que passa tenho a sensação de estar a viver numa distopia Orwelliana.

Milhares de falsas conexões.

Pessoas invisíveis ao anoitecer

Aquilo que vê no seu smartphone não é real. Aquilo que vê no ecrã do seu computador não é real. São apenas píxeis organizados de uma forma a fazê-lo acreditar numa mentira.

Quer mesmo passar a maior parte da sua vida a olhar para píxeis em ecrãs?

Você não pode SENTIR uma pessoa que não está consigo e com quem apenas interage através de um teclado.

Não é possível existir uma conexão genuína com amigos virtuais. Somos humanos e precisamos de ESTAR com pessoas. Os amigos virtuais não existem.

A vida que as pessoas demonstram nestas plataformas não as representa verdadeiramente. Ninguém faz publicações para parecer mal.

“Quanto mais tempo passa nas redes sociais, menos tempo tem para se conectar com outras pessoas ao vivo.”

As redes sociais contratam peritos de uma nova disciplina chamada engenharia da atenção. Os engenheiros da atenção, usam as técnicas aplicadas nas máquinas dos casinos para criar dependência nos seus utilizadores.

São contratados com o objetivo de o manipular psicologicamente online, e fazê-lo passar o máximo de tempo à frente de um ecrã. Sabem como o seu cérebro funciona e usam estratégias sem o mínimo de ética para criar adição.

Quanto mais tempo conseguem fazê-lo olhar para um ecrã, mais dinheiro podem cobrar aos anunciantes, uma vez que a publicidade se torna mais lucrativa.

As redes sociais causam depressão e ansiedade.

Sombra de uma pessoa atrás de um código

Um estudo publicado na Science Direct demonstrou que o uso das redes sociais está associado a depressão e a ansiedade.

O estudo concluiu ainda que esta correlação é forte o suficiente para que os clínicos sejam aconselhados a questionar os pacientes que sofrem com estas doenças sobre o uso que fazem destas plataformas.

Esta conclusão não é de admirar. Estar constantemente a ser bombardeado com os aparentes sucessos de outras pessoas pode fazer qualquer um questionar-se sobre o seu próprio valor.

“Não precisa de tirar fotos e usar filtros para melhorar a sua imagem externa quando a sua imagem interna está impecável.”

Paralelamente, a validação obtida pode fazer qualquer falhado sentir-se temporariamente um vencedor. Só tem de partilhar uma imagem descarregada de outro sítio qualquer que consiga fazer outras pessoas reagir.

Com publicações estimulantes consegue atenção, provocando uma falsa sensação de validação do ego, criando a ilusão de que alcançou algo na vida.

A falsa sensação de sucesso que obtemos através das redes sociais desaparece rapidamente, ao contrário da sensação de realização duradoura que obtemos quando conquistamos metas verdadeiramente significativas.

As redes socais roubam-lhe o incentivo para melhorar a sua vida.

Para quê ser disciplinado se consegue validação sem esforço?

Para quê dedicar anos de prática, de estudo e de sacrifício para se tornar bom nalguma coisa, se pode sentir-se bem durante dois ou três minutos, mesmo que no fundo saiba que aqueles gostos na sua publicação nada acrescentam à sua vida?

P.S. – Antes de acabar de escrever este artigo decidi apagar a última rede social que me restava, o Facebook. Deixei inclusive passar o primeiro mês, durante o qual poderia recuperar a minha conta caso me arrependesse, mas não me arrependi.

A minha conta de Facebook foi apagada permanentemente. Considero a minha vida demasiado valiosa para desperdiçá-la numa plataforma de fingimentos online, servindo os interesses financeiros de outras pessoas.

Como é a minha vida sem redes sociais?

O que me fez adiar a eliminação da conta do Facebook foi a página do blog, onde tinha 12.000 seguidores. Tive de pensar cuidadosamente se queria mesmo ir para a frente com o cancelamento permanente, pois ao eliminar um perfil do Facebook, as páginas profissionais que lhe estão associadas são também eliminadas.

Considerei a hipótese de transferir a página para a conta de alguém da minha confiança, ou para uma agência de marketing digital e deixá-los geri-la por mim. Todavia, acabaria sempre por ter de participar nas publicações de alguma forma.

Escolhi a hipótese mais limpa, apagar tudo.

Hoje quando acordo, não fico 30 minutos deitado na cama a ver o feed de notícias antes de me levantar.

Ainda assim, a diferença maior é a leveza de espírito. Deixar de absorver opiniões pessimistas de pessoas tóxicas retirou uma nuvem negra de cima de mim.

Também deixou de haver qualquer pressão para responder a publicações de amigos meus. Eles sabem que não o vou fazer, uma vez que não me é possível.

A internet tem várias faces.

Continuo a achar que a internet é uma invenção maravilhosa. Aliás, se esta não existisse, não teria a possibilidade de publicar artigos neste site. Só que infelizmente, trouxe também muitos aspetos negativos. São inúmeras as pessoas que exploram as fraquezas dos outros para fazer dinheiro.

Esse tipo de pessoas sempre existiu. Pergunto-me, no entanto, se na internet os charlatões não atingem proporções muito maiores. Já não têm de se limitar a enganar apenas as pessoas que estão à sua volta. Agora, podem enganar o mundo todo.

A maior armadilha na qual caímos, relativamente às redes sociais, foi a de acreditar que as usamos com muita frequência porque assim o decidimos, impossibilitando-nos de ver que fomos manipulados.

Este artigo não é apenas conversa do género “faz o que eu digo, não o que eu faço”. Eu próprio apaguei as minhas. Sei como é a vida sem elas, e para ser sincero, a única coisa de que me arrependo, é de não o ter feito mais cedo.

1 comentário em “Redes sociais – Quando a sua vida é apenas uma simulação”

  1. Social media gets a bad rap, and it’s obvious why. More than once in my life, when I’ve felt low, lonely, and lost, its sugary, buttery, monosodium glutamate-laden algorithms have lured me onto its slippery slope of guilt-ridden over-consumption and, like the horror of stepping onto a bathroom scale in early January, has forced me a few times to take drastic disciplinary measures until equilibrium was reestablished. 

    But, much like a Marks & Spencer’s creme brulee, designed to provide a seductive dopamine hit, it isn’t supposed to replace a square meal. And here-in lies a common misunderstanding: it’s not the sweet treat itself that’s the issue, but the absence of nutrition that it’s being used to replace.

    There are potentially addictive drugs everywhere: the shiny, designer shoes you can ill-afford, suggesting for a brief moment that your life feels as beautiful as your feet look in the angled mirror; the chink and swirl of the ice cubes in the bottom of the whisky glass reminiscent of a luxury and success far-removed from the campbed in your parents’ basement; the bare, warm skin of a stranger whose soul will linger way beyond their perfume in your car; the relentless burning of the midnight oil providing “evidence” of your purpose and meaning, the not-to-be-missed budget airline flight offering an escape to something, somewhere more exotic and enticing than your present reality…

    … it’s not the “thing” that needs to be (or even can be!) eradicated – the Devil will await you, tirelessly, eternally, on every corner – it’s the how and why you’re falling for his tricks; it’s understanding that your addiction that you work hard to avoid is a symptom of a lack, rather than the cause of it.

    You have small but powerful tales that you’re not even aware of, colouring your every move. Each moment, situation, interaction is dyed a false hue by these stories, like swilling a loaded paintbrush into a jar of clean water; if your paintbrush is full of the paint of your childhood trauma, so your life will be clouded by it.

    This paint, this trauma, is the lies programmed into you about your connectivity and inherent worthiness.

    And that trauma, that lack of connection and worth, sitting in your subconscious mind, of what you believe about yourself, about others, about God, about the world and your role in it all; it’s an existential cry for help; a desperate scramble to feel a part of something bigger than oneself.

    Free yourself from the life-long stories, the paint, the trauma: http://PersonalDevelopmentSchool.com

    (I’m not in any way affiliated with Personal Development School, I’m simply someone who’s used it to shift the childhood stories, the trauma, and wishing to be of service to others.)

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José Lança

José Lança é o criador do blog Desbloqueie-se, onde milhares de pessoas espalhadas pelos quatros canto do mundo já foram procurar inspiração para os seus desafios. Dedica o seu tempo à escrita de não ficção, explorando temas que abrangem desde o desenvolvimento pessoal ao condicionamento social, passando por tudo aquilo que tem impacto na produtividade pessoal de cada indivíduo. Acredita que o seu propósito de vida é atingir a maestria num único campo, ao longo de toda a sua vida.
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