Como desenvolver o autoconhecimento – O guia completo

Quem é você verdadeiramente e porque é que isso interessa? Desenvolver o autoconhecimento não serve apenas para se conhecer a si mesmo. Serve também para entender o mundo à sua volta, assim como a sua experiência do mesmo.

O seu ambiente provoca-lhe emoções. Essas emoções levam-no a agir de diversas maneiras. Quando lhe falta autoconhecimento, reage sem pensar e posteriormente arranja uma justificação, sem nunca entender o verdadeiro motivo dos seus comportamentos.

Ter noção de que esses comportamentos automáticos existem e aprender sobre os mesmos requer introspecção e análise ponderada.

Aprender sobre si mesmo pode ajudá-lo a tomar melhores decisões. Quanto menos autoconhecimento tem, mais se deixa dominar pelas suas influências externas.

Conhecer-se a si mesmo permite-lhe saber quais as suas forças e fraquezas, e ainda, aquilo em que é naturalmente bom. Ajuda-o também a escolher a disciplina em que pode tornar-se altamente competente com mais facilidade.

Saber como reage, como se autossabota, quais as situações que o levam a perder o controlo e quais as que o tornam impulsivo, permite-lhe prevenir más decisões. Esta é uma daquelas situações em que podemos afirmar que conhecimento é poder.

Podemos mudar com autoconhecimento?

Não pensamos em nós como somos na verdade, mas antes como gostamos de nos imaginar. O autoconhecimento total não é possível. E ainda bem que assim é, pois este levar-nos-ia à loucura.

Quando mergulhamos nas profundezas do nosso ser, encontramos as partes mais maléficas e obscuras da nossa essência. Partes que jamais associaríamos a nós mesmos. Vemos a nossa inapetência, o nosso medo.

Precisamos de estar dispostos a nos cruzar com os nossos demónios internos.

“A viajem interior tem tesouros escondidos que mal podemos imaginar, como descobrirmos como criar o nosso propósito de vida, ou a revelação de que somos muito mais intuitivos do que pensávamos. Existe sabedoria dentro de nós.”

Numa animação no site de conferências TED sobre a questão da nossa existência, é-nos explicado que somos um aglomerado de partes em constante mudança, mas que de certa forma, permanecemos os mesmos.

O nosso caráter muda, o nosso intelecto pode ser melhorado, e as nossas emoções podem ser entendidas para fazermos escolhas mais construtivas. Ainda assim, temos um âmago que nunca muda.

Quais são os seus valores?

Já se perguntou quais são os seus valores? Sem princípios bem definidos é facilmente explorado por outras pessoas.

Os seus valores alertam-no para a necessidade de ser assertivo e de colocar barreiras quando tentam aproveitar-se de si, ou quando passam de um certo limite. Dão-lhe a capacidade de dizer não quando quer realmente dizer não, e de dizer sim quando quer realmente dizer sim.”

Conhecer os seus valores é uma grande parte do seu autoconhecimento. Se não sabe aquilo que o move também não sabe o que faz no mundo. Outras pessoas sentem a sua indecisão e fazem escolhas por si, mas que as beneficiam a elas.

6 benefícios do autoconhecimento.

Os benefícios de desenvolver o autoconhecimento podem ser resumidos numa única, mas seriamente importante vantagem: a capacidade de tomar melhores decisões.

“Quando nos falta autoconhecimento, tomamos decisões baseadas na pessoa que gostamos de pensar que somos, em vez da pessoa que somos na realidade.”

E qual é o resultado? Uma dose bem amarga de realidade. As experiências negativas tornam-nos mais sábios, mas em doses excessivas podem nos tornar ressentidos com a vida.

Com um bom autoconhecimento vai não só saber em que fase da vida se encontra, como também vai entender quem você é exatamente nessa fase.

1º benefício – impedir a autossabotagem.

A autossabotagem é muito perigosa porque é invisível. Sem querer, tomamos más decisões a pensar que são benéficas para nós, ou não tomamos decisões de todo.

Se melhorarmos o nosso autoconhecimento, seremos capazes de identificar esses momentos de irreflexão e de nos determos antes de agir.

Conhecermos as nossas fraquezas, termos a capacidade de admitirmos que somos incompetentes dentro de algumas áreas, e estarmos dispostos a não arriscar demasiado, vai impedir essas más decisões de ver a luz do dia.

“O mais difícil é parar a nossa mente. Colocar de lado as nossas noções preconcebidas, mas principalmente a nossa autoimagem. Para desenvolver o autoconhecimento, temos de eliminar os nossos filtros para nos observar tal como somos.”

Quem é que não gosta de se ver como um super-herói? Quem é que não gosta de interpretar as suas fraquezas como sendo virtuosas?

Evitamos sentir vergonha, usamos de todos os mecanismos de que nos lembramos para não nos sentirmos desconfortáveis, embaraçados e inadequados.

Desta forma, sabotamos o nosso autoconhecimento. Devemos nos lembrar de que todas as pessoas cometem erros, e pensar nos erros como aprendizagens.

2º benefício mudar maus hábitos.

Deveria de nos ser ensinado desde cedo uma forma de alterar hábitos indesejados. Desenvolver maus costumes ao longo dos anos é inevitável.

As pessoas mais astuciosas desenvolvem os seus próprios estratagemas para mudar os maus hábitos adquiridos inconscientemente.

Para as que não dispõem de mecanismos eficazes para os alterar, começarem por desenvolver o autoconhecimento é sem dúvida o primeiro passo.

O que resulta para mim pode não resultar para si. Mas quando desenvolve o autoconhecimento diminui o tempo de aprendizagem por tentativa e erro. Aprende sozinho a melhor forma de mudar os seus maus hábitos, quando é capaz de os detetar.

3º benefício – conhecer os seus limites.

Não conhecer os seus limites pode ser comparado a uma forma de autossabotagem. O ganho advém de decisões que comportam algum risco. Não existe problema em fazer escolhas arriscadas de vez em quando. O problema é quando somos péssimos a medir as consequências quando assumimos um risco elevado.

Lidar com consequências avassaladoras é a última coisa que desejamos. Conhecer os nossos limites parte do pressuposto de que não nos diminuímos desperdiçando o nosso potencial, mas também não desejamos dar um passo maior que a perna.

Desenvolver o autoconhecimento permite-lhe saber os limites das suas competências, as quais pode sempre melhorar antes de se adentrar em empreendimentos onde tem pouca ou nenhuma experiência.

4º benefício – saber o que deve parar de tentar controlar.

Desperdiçamos tanta energia a tentar controlar circunstâncias que não dependem de nós.  Se direcionássemos essa energia para aquilo que está dentro do nosso controlo, melhoraríamos as nossas vidas de uma forma quase inacreditável.

Quando conhece bem as suas forças e as suas fraquezas, não desperdiça energia em vão. Sabe que algumas coisas têm um tempo próprio para acontecer, mas não usa isso como desculpa para a procrastinação.

5º benefício – interromper filmes mentais irracionais.

Pessoalmente, tenho alturas em que sou absurdamente pessimista com pequenos problemas.

Consigo pegar numa situação insignificante e fazer uma ginástica mental ultra pessimista, com um desenrolar de eventos terríveis em catadupa que levam à destruição do universo.

Coisas como: dei um pontapé no lancil do passeio sem querer, ficou a doer-me o pé, posso ter fraturado um osso que só vai doer-me daqui a duas semanas.

Nessa altura, terei de colocar baixa médica para recuperar. Terei também de gastar dinheiro em fisioterapia e estar ausente do trabalho, o que vai causar o meu despedimento. Tudo enquanto a minha condição vai piorando.

Acabarei a viver como um sem abrigo, sem um único tostão e com uma perna amputada.

Ao saber dessa minha tendência para pensar em catástrofe eminente sem razão, consigo interromper o ciclo, lembrando-me de que tenho uma predisposição para imaginar os piores cenários possíveis.

Só preciso de me lembrar que já fiz filmes semelhantes noutras circunstâncias, e não só continuo vivo, como também não provoquei a aniquilação total da raça humana sem querer.

6º benefício – melhorar os seus relacionamentos.

Numa pesquisa publicada na revista científica Plos One verificou-se que as pessoas com um bom autoconhecimento têm melhores relacionamentos com pessoas próximas, do que aquelas com pouco autoconhecimento.

Tal demonstra que conhecermo-nos bem a nós próprios ajuda-nos a entender melhor os outros. Desenvolver o autoconhecimento torna-nos mais empáticos.

Os relacionamentos são parte integrante da vida em sociedade. Quando tem bons relacionamentos com o seus colegas e o seu chefe, tem também um bom ambiente de trabalho.

É verdade que os relacionamentos não são apenas aquilo que fazemos aos outros, mas também aquilo que recebemos dos outros.

Não podemos controlar as outras pessoas, mas podemos aprender com elas e maximizar o que têm de melhor. Podemos aprender a ser mais compreensivos e tolerantes, sem deixar de ser assertivos.

45 formas de desenvolver o autoconhecimento.

O autoconhecimento não pode ser forçado. No máximo, pode criar condições para deixá-lo acontecer. Não obstante, existem formas de o desenvolver.

Algumas exigem momentos de reflexão, outras requerem uma mudança de perspetiva, e outras requerem ainda comportamentos intencionais da sua parte, como por exemplo aprender sobre o ser humano ao longo da História.

Seguem-se 45 formas de desenvolver o seu autoconhecimento:

1. Isole-se temporariamente num local silencioso.

Estar sozinho consigo mesmo e em silencio vai dizer-lhe muito sobre si, sabia que existe um estudo que comprova que a maioria das pessoas prefere levar choques elétricos do que passar 15 minutos sozinhas com os seus pensamentos?

Num mundo de estímulos constantes, as pessoas perdem a capacidade de pensar e de relaxar. Precisam de estar sempre agarradas aos seus smartphones ou entretidas a fazer alguma coisa.

Como é que alguém pode ter um bom autoconhecimento se não é capaz de parar um pouco? Não nego que é difícil encontrar um sítio silencioso para estar sozinho. Todavia, se for necessário afastar-se da cidade, a experiência pode muito bem valer a pena.

“Isolar-se num local silencioso sem se forçar a pensar em algo específico fará a sua mente viajar. Essa viajem trará respostas.”

Pensar sobre quem você é verdadeiramente, aquilo o move, o que o inspira, o que o deixa chateado e o que o faz sonhar, também é um bom exercício a fazer.

Não se esqueça de levar algo para escrever. Seria uma pena ter uma experiência tão profunda e esquecer-se de metade das suas revelações no dia seguinte!

2. Aprenda História.

Aprender História faz-nos sentir gratidão por vivermos num mundo moderno como o nosso. Ao longo da História, os humanos têm sido mais cruéis e primitivos do que hoje. Nunca existiu um mundo tão tolerante como o nosso.

A esperança média de vida aumenta com o passar dos anos, e por mais negativos que alguns eventos da atualidade sejam, jamais houve um mundo com tantas oportunidades.

Observando o passado, percebemos como as ideias e as convenções morais mudaram ao longo da História. Esta revelação torna-se particularmente útil na deteção dos seus comportamentos irrefletidos.

 “Estudar o comportamento humano ao longo da História ocasiona desenvolvimento pessoal no presente.”

Descobrirá que tem mais poder para mudar de que pensa, como também a melhor forma de o fazer. Partindo do pressuposto de que o deseja.

3. Saiba que vai mudar, e que não há nada de errado com isso.

O autoconhecimento é um processo constante, uma vez que nós também estamos em constante mudança.

Algumas das nossas características são imutáveis, no entanto, cometemos um grande erro quando assumimos saber quais é que não podemos mudar.

Se acredita que a sua teimosia é inalterável, você mesmo fará com que assim seja. Em vez de tirar conclusões sobre o que é permanente e o que não é, apenas observe.

Sem se agarrar a ideias antigas, observe diversos momentos do seu passado e recorde-se do que sentiu quando reagiu a determinados eventos da vida. Não se julgue, apenas aprenda.

4. Não use a televisão para se definir a si mesmo.

A televisão é o seu pior terapeuta. Já deve ter reparado que cada vez mais as series e os filmes têm uma agenda política. Querem dizer-lhe o que é politicamente correto, quais as crenças que deve assimilar, assim como os ideais que deve rejeitar.

“Ser viciado em filmes e séries e pensar pela própria cabeça são duas coisas que não combinam.”

Os realizadores, assim como os guionistas e os produtores, são cada vez mais óbvios nas suas tentativas de o “ensinar” a pensar. Querem que se sinta mal a ter comportamentos naturais, e bem ao ter outros aberrantes.

“Nunca permita que uma indústria, seja de que ramo for, lhe diga quem você deve ser. Faça a sua própria análise. Sozinho.”

5. Identifique as suas pressões sociais externas.

Que tipo de pressões tem recebido ao longo da sua vida? Quais as imposições que mais sentiu da sua família, dos seus amigos e da sociedade em geral?

Estas pressões são mais fáceis de identificar do que as manipulações insidiosas da indústria cinematográfica. São mais evidentes por lhe terem sido impostas de forma mais direta.

Contudo, algumas dessas pressões revelaram-se vantajosas. Consegue identificar quais trouxeram benefícios à sua vida e quais o desviaram do seu verdadeiro caminho?

E hoje em dia, ainda sente necessidade de validar a sua identidade através da opinião de outras pessoas?

6. Identifique as suas respostas emocionais automáticas.

Ninguém tem autocontrole absoluto. Todos temos respostas emocionais automáticas que geram comportamentos irracionais.

Na maioria das vezes em que agimos impulsiva e despropositadamente, em vez de admitirmos que perdemos o controlo, usamos a parte racional do nosso cérebro para inventar justificações.

Poucas pessoas têm maturidade e consciência suficiente para se responsabilizar pela sua intempestividade. A maior parte das pessoas não investe tempo no seu autoconhecimento.

Independentemente disso, comece a identificar essas reações automáticas. Tome nota de quando fica subitamente ansioso, chateado, ou qualquer outra emoção negativa. A palavra chave aqui é: subitamente.

7. Qual a parede que sempre quis derrubar?

Qual o obstáculo que tem estado no seu caminho há muito tempo e que sempre quis derrubar, mas que parece não se mover não importa o quanto se esforça?

Será alguma característica da sua personalidade que gostaria que fosse diferente? Alguma habilidade que gostaria de ter?

Se pudesse mudar alguma coisa em si, de um dia para o outro, o que seria?

“Essa barreira encontra-se realmente no seu caminho, ou existe apenas na sua imaginação? Se foi você que a criou, tente percebê-la. Só assim a poderá vencer.”

Aprenda a identificar os obstáculos no seu caminho para melhorar o seu autoconhecimento.

8. Não se critique enquanto se observa.

O objetivo é entender-se sem se repreender. Reveja mentalmente o seu passado, num local sossegado e colocando de lado todas as suas noções preconcebidas.

Enquanto se observa a si mesmo, não arranje justificações mentais para os seus comportamentos. Apenas observe. Enquanto observa, sem filtros, vai ter algumas revelações. Essas revelações são a informação que procura.

9. Quais costumavam ser os seus sonhos?

Os sonhos que tínhamos quando éramos crianças dão-nos muita informação sobre aquilo que nos faz sentir realizados.

Eu, por exemplo, gostava de desvendar mistérios escondidos quer fosse com o meu microscópio, quer fosse através de livros de História ou de ciências para crianças. No fundo, o conhecimento fascinava-me.

Hoje em dia as coisas não mudaram muito, continuo a ser fascinado pela investigação e pelo conhecimento, mas relativo a questões mais filosóficas e existenciais. Foi precisamente essa curiosidade que levou à criação deste site.

Recordar-se dos seus sonhos antigos é um exercício importante para melhorar o seu autoconhecimento. Estes ainda estão dentro de si, apenas se manifestam sob a forma de outros desejos.

10. Faça uma lista das suas prioridades e medite sobre os seus motivos.

Se lhe perguntarem quais são as suas prioridades é possível que responda rapidamente sem ter que pensar muito sobre assunto. Mas se lhe perguntarem porque é que as tem, talvez tenha de parar para pensar antes de responder.

É com muita frequência que nos esquecemos dos nossos “porquês”.

“Os nossos objetivos podem estar em evidência na nossa mente, mas temos tendência a subestimar o tempo que precisamos para os realizar. À medida que os anos passam esquecemo-nos do porquê de termos escolhido as nossas metas.”

Entender os motivos que nos levam a sonhar com as nossas metas ajuda-nos a desenvolver o nosso autoconhecimento.

Esses motivos necessitam de reafirmação constante. Mais uma vez, nada como escrever e colocar no papel aquilo que se tornou turvo na sua cabeça e que precisa de ser relembrado e reorganizado.

11. Avalie quem você foi no passado.

Para se conhecer bem no presente, precisa de avaliar quem foi noutras alturas da sua vida. Veja como mudou ao longo do tempo. Lembre-se não só do que aprendeu, mas também do que o perturbou e perturba ainda hoje.

O seu caráter não foi sempre o mesmo. Alguns traços de personalidade permaneceram, mas muitos mudaram. Você aprendeu.

Analisar profundamente o que o fez mudar no passado ajuda-o a ter mais autoconhecimento no presente. Certas fases da sua vida foram muito intensas. Não foram só as experiências traumáticas que o mudaram, as felizes também.

Algumas experiências revelaram-lhe coisas sobre si mesmo que não sabia.

“Uma coisa é pensar sobre quem você é, outra coisa é aquilo que lhe é revelado durante situações de grande intensidade emocional. Quando o seu verdadeiro caráter se torna visível, descobre coisas de que não gosta, mas também desvenda as suas forças escondidas.”

Durante os acontecimentos intensos descobre os seus dons, aptidões e talentos. Graças a essas experiências, os seus poderes revelam-se e passam a poder ser usados propositadamente noutras situações.

Observar o seu passado com atenção traz-lhe imenso conhecimento sobre quem você é no presente.

12. Melhore o seu vocabulário.

Ampliar o seu vocabulário e melhorar o seu discurso enriquece a forma como interpreta o mundo. Ter mais palavras para se descrever, assim como ao ambiente à sua volta, mostra-lhe uma maior variedade de emoções e de perspetivas.

Melhorar o seu vocabulário vai ainda ajudá-lo a entender melhor as outras pessoas, o que é imprescindível para desenvolver o seu autoconhecimento. Mais palavras ajudam-no a pensar de maneira mais detalhada.

Para melhorar o seu vocabulário precisa de ler. Leia livros, as publicações das redes sociais não contam. Estas prejudicam não só o seu vocabulário, mas também todas as áreas da sua vida.

Quando aumenta o seu vocabulário começa a ter pensamentos mais completos e mais pormenorizados. Pode interpretar comportamentos que antes não podia, pelo motivo de que não tinha palavras para identificar as motivações por detrás dos mesmos.

13. Faça um esforço para entender melhor as outras pessoas.

Para entender melhor as outras pessoas precisa de adotar uma atitude de não julgamento. Lembre-se de que todos temos experiências de vida diferentes, crescemos em meios diferentes e somos expostos a diferentes circunstâncias.

Quando vemos outros a comportarem-se de formas que não conseguimos entender, o primeiro passo é sermos tolerantes.

“Seja tolerante com aquilo que não compreende. Mesmo que não entenda alguém, pode optar por não classificar essa pessoa dentro dos seus rótulos.”

Se a quiser ouvir, precisa de praticar a escuta ativa, a qual consiste em ouvir genuinamente sem expectativas e sem pressas para voltar a falar.

A compreensão e a empatia melhoram o autoconhecimento. Mas não se engane. O entendimento de terceiros não é a confirmação das suas ideias preconcebidas enquanto os ouve a falar.

Num artigo da Harvard Business Review é mencionado que ser um bom ouvinte é muito mais do que ficar calado enquanto outra pessoa fala.

Como ser um bom ouvinte.

Para entender verdadeiramente outra pessoa, tem de sentir uma curiosidade genuína por o que ela diz.

Tal pode revelar-se uma tarefa difícil. Vivemos numa sociedade cujo o cinema e o marketing estão constantemente a nos dizer que somos os heróis da história. Seja qual for a situação, não importa quem mais esteja envolvido, nós somos a personagem principal.

Um dos grandes problemas da nossa era é o aumento dos casos de narcisismo. Os narcisistas estão entre nós, talvez até sejamos um e não saibamos.

“Num mundo onde somos constantemente bombardeados com a ideia de que somos especiais e que temos potencial ilimitado, perdemos a capacidade de ouvir outras pessoas, de entender de onde vêm, e de perceber porque agem da maneira que agem.”

Quando nos habituamos a ser o centro do universo, a nossa humanidade desvanece-se. Ficamos convencidos de que os outros são obrigados a olhar para nós e a idolatrar-nos, e que se não o fizerem é porque estão a tentar nos ofender.

Se quer entender melhor os outros, precisa de deixar de ser a “superestrela que sabe tudo” na sua mente, e apenas ouvir, sem filtros.

No fim, esta experiência será uma grande aprendizagem. Entenda melhor os outros para aprimorar o seu autoconhecimento.

14. Que tipo de pessoas são os seus amigos?

Esta é uma área na qual pode evoluir rapidamente. Quando percebe que as pessoas tóxicas à sua volta desperdiçam a sua energia e lhe retiram qualidade de vida, pode simplesmente decidir não falar mais com elas.

Os seus amigos dizem-lhe muito sobre si. Daqui em diante pode fazer mudanças na sua vida baseadas no parágrafo acima, mas antes, determine qual o tipo de amigos que tem mantido nos últimos anos.

O que têm os seus amigos em comum uns com os outros? E o que têm em comum consigo?

Eu costumava manter determinadas amizades tóxicas na minha vida devido a estarem sempre disponíveis para sair, ou falar ao telefone a qualquer hora.

“Quando aprendi a trabalhar a minha autoestima, a gerir o meu tempo, e a criar o meu propósito de vida, deixei de ter necessidade de ter sempre alguém pronto a falar comigo por telefone ou a encontrar-se comigo sem combinar com antecedência.”

Curiosamente, as pessoas no meu círculo de amigos que estavam sempre disponíveis eram também as mais pessimistas e manipuladoras. Olhando para o meu passado, consigo perceber alguns hábitos de autossabotagem.

15. Observe a sua mente durante tarefas rotineiras.

Por onde é que a sua mente divaga quando realiza tarefas rotineiras como lavar a loiça, ou aspirar a casa?

Quando conduzo é quando a minha mente mais divaga. Os pensamentos passam pela minha cabeça sem eu os escolher. Apenas fluem. Nessas alturas consigo ter uma ideia do que a minha mente vai buscar ao meu espírito.

Pensamentos que não teria quando estou simplesmente sentado numa viagem de comboio ou no computador a ver um vídeo. Existe algo que faz com que fiquemos internamente focados e absortos quando realizamos tarefas rotineiras.

Esses pensamentos ajudam-nos a perceber quem somos e qual o nosso estado de espírito na presente fase da vida. Eu por exemplo, dou por mim a pensar nas características da casa que gostaria de adquirir futuramente.

Esses pensamentos não me passam pela cabeça no meu dia-a-dia. Só surgem quando me encontro absorto em hábitos do quotidiano.

Da próxima vez que estiver a realizar uma atividade rotineira em que a sua mente divaga, tente capturar essa amálgama de pensamentos e use-os para aperfeiçoar o seu autoconhecimento.

16. O que gostaria de mudar em si mesmo?

O que mudaria em si? Gostaria de ser mais disciplinado? Mais focado? Falar menos e melhor? E qual o motivo que o faz querer mudar?

Na verdade, aquilo que vai aprofundar o seu autoconhecimento é perceber o “porquê” de querer mudar essas características.

Podemos ter qualidades que outros veem como negativas, mas nós como favoráveis. Usando-me a mim novamente como exemplo, sou introvertido e jamais desejaria ser extrovertido.

Vejo muitas pessoas que são excessivamente voltadas para o mundo exterior, chegando a perder a noção do seu impacto nas outras pessoas.

É claro que existem extrovertidos com muita inteligência emocional, eu apenas não tenho qualquer desejo de me tornar num deles. Não troco a minha capacidade de me focar intensamente numa única coisa por nada.

Claro que ser introvertido tem as suas desvantagens. Não obstante, aprendi a maximizar os seus benefícios ao longo dos anos, tal como muitos extrovertidos aprendem a maximizar os seus.

Quando for capaz de entender e identificar os motivos que o levam a querer ser diferente, vai dar um grande passo na melhoria do seu autoconhecimento.

17. Quais os tipos de decisões que tem dificuldade em tomar?

Existe alguma área na qual tem dificuldade em tomar decisões? Para responder a esta pergunta, observe o seu passado e identifique as decisões que demorou demasiado tempo a tomar e em que foi excessivamente analítico.

Numa publicação da Universidade de Harvard é referido que muitos cientistas da área da psicologia, hoje em dia, assumem que as emoções são o fator dominante das decisões mais significativas na vida.

Pense no tipo de decisões que tem dificuldade em tomar usualmente, e identifique as emoções que lhes estão associadas.

Terão elas um medo correlacionado? Um sentimento de raiva? Um rancor? Este exercício pode revelar-se assustador, uma vez que requer mergulhar nas profundezas do seu ser.

É também um dos mais significativos para o autoconhecimento. Entender as emoções e os bloqueios traz-lhe uma clareza que pode acabar com a autossabotagem.

Ao lidar com as emoções difíceis aceite o desconforto inicial, não lute. Quando este passar estará num sítio muito melhor do que antes.

18. Que trabalho faria se o dinheiro não fosse problema?

Se o dinheiro não fosse problema, mas tivesse que ter um emprego e pudesse escolher, o que faria? Esta ideia vem de uma palestra do famoso investidor Warren Buffett, em que ele diz:

“Procure o emprego que aceitaria se não precisasse de um emprego”

– Warren Buffet

Esta pergunta é importante porque ter um trabalho significa também ter rotinas e disciplina.

Se não tivesse de trabalhar, entraria possivelmente numa espiral descendente de autodestruição e começaria a viver impulsivamente, pensando apenas em gratificação imediata.

“O excesso de possibilidades leva muitas pessoas à ruína. Rotinas são sempre necessárias. Sem estas não existe um propósito. Apenas deambula pela vida sem perceber muito bem para onde vai.”

Se pudesse escolher qualquer emprego, acabaria por fixar-se naquele que seria um propósito de vida para si. Talvez tivesse de experimentar vários no início, ou talvez já se conheça a si mesmo o suficiente para saber o que quer.

Imagine agora que trabalhos gostaria de realizar se pudesse escolher qualquer emprego, sem pensar no dinheiro.

Quais são as características desses trabalhos?

Responda a estas perguntas sobre os tipos de empregos que imaginou:

São manuais ou computorizados?

São realizados em grupo ou sozinho?

Nesses trabalhos, sente alguma pressão ou esta totalmente relaxado?

São trabalhos com instruções claras e precisas, ou tem liberdade para ser autodidata?

As respostas a estas perguntas compreendem uma boa parte do seu autoconhecimento.

19. O que costuma julgar nos outros?

Sabe aquelas características que o irritam nas outras pessoas? Normalmente são características que você tem e que não gosta. Costumamos ignorar os nossos defeitos, temos mais prazer em nos focarmos nas nossas virtudes e habilidades.

Aquilo de que menos gostamos nas outras pessoas, que mais julgamos e criticamos é também aquilo de que menos gostamos em nós próprios. Se tem o hábito de não julgar ninguém, então parabéns.

Significa que é uma pessoa extremamente evoluída, e certamente já possui um bom autoconhecimento. Todavia, são muito raras as pessoas que têm o poder de não julgar ninguém, se é que existem de todo.

Um artigo na Newscientist refere que avaliamos com precisão o caráter de uma pessoa em 0,1 segundos. Posto isto, é mais provável a sua avaliação de outras pessoas estar certa do que errada.

Para usar esta informação a seu favor, faça uma lista das coisas que menos gosta nas outras pessoas, e reflita sobre essas características de maneira a poder identificá-las em si e aumentar mais um pouco o seu autoconhecimento.

20. O que o faz sentir-se bem?

Quais são as atividades mais prazerosas para si? O que é que faz com que recarregue as suas baterias e relaxe? Existe algum hobby ou desporto que o enche de felicidade?

Às vezes não nos apercebemos das coisas que mais nos dão prazer. As atividades mais prazerosas para mim não requerem nenhuma preparação, nem circunstâncias específicas.

São coisas simples como ler um livro ou assistir a um concerto de música clássica no computador. As suas podem precisar de mais preparativos, como por exemplo viajar ou praticar mergulho.

“É importante refletir sobre o que o fazem sentir-se bem. Num mundo focado em resultados e melhoria pessoal constante, muitas pessoas esquecem-se daquilo que as faz verdadeiramente felizes.”

Faça uma lista das atividades que mais prazer lhe dão. O simples facto de fazer este exercício e olhar para essa lista melhora o seu autoconhecimento.

21. É introvertido ou extrovertido?

Esta pergunta não é difícil de responder para a maioria das pessoas. O que é invulgar, é saberem o que a introversão e a extroversão significam. Ainda existe uma grande confusão relativamente a estes dois termos.

Se eu lhe disser que existem introvertidos sem-vergonha, assim como extrovertidos tímidos acredita? Se respondeu que não é porque ainda tem a ideia errada, assim como a maioria das pessoas tem.

A introversão e a extroversão têm a ver com a maneira como responde ao estímulo, tal como estímulo social. Os extrovertidos necessitam de estímulo, e os introvertidos necessitam de sossego.

Ainda assim, a principal diferença é que os extrovertidos recarregam as suas baterias com atividades como: socializar, festas e atividades em grupo, enquanto que os introvertidos recarregam as suas com atividades como: ler, tocar um instrumento ou escrever.

Uns recebem energia do exterior, outros recebem-na isolando-se.

Assim explica Susan Cain, autora do livro “Silencio”, e de uma das minhas Ted talk favoritas sobre o tema:

Susan diz na sua palestra que ninguém é totalmente introvertido ou extrovertido.

No livro “Silencio”, aprendi que os introvertidos como eu podem ser muito sociáveis e participar em eventos com muitas pessoas, mas o ideal é retirarem-se assim que se sentem demasiado cansados.

Graças a esta aprendizagem, descobri que consigo participar em eventos de networking, conhecer pessoas, e criar novos contactos com facilidade. Assim que chego a um evento, tenho entre 1h30 a 2h até ficar esgotado e não conseguir conhecer mais pessoas.

Quando isso acontece é altura de me retirar. Os extrovertidos conseguem ficar lá até ao fim do evento, e até o abandonam com mais energia do que tinham quando chegaram!

Já sabe qual dos dois é você? Para ter autoconhecimento é fundamental saber como a sua energia funciona.

22. Onde precisa mais de crescer?

Quais as áreas da sua vida que não se desenvolveram tão bem quanto planeou? Existem áreas onde necessita de crescer e não se apercebe porque estão fora da sua consciência.

Mas, se meditar sobre o assunto, poderá descobrir algumas dessas áreas mais escondidas, ganhando o poder para se tornar num ser humano mais completo.

Para o ajudar, pense nos objetivos que tem tido até hoje, quer os tenha concretizado ou não. O que é que esses objetivos têm em comum? Estão relacionados com dinheiro? Têm alguma coisa a ver com constituir família? Ou viajar e conhecer o mundo?

Pensando agora exclusivamente naqueles que não se realizaram, o que lhe faltou?

Quais as características da sua personalidade que têm sabotado os seus sonhos devido a não as ter bem desenvolvidas? Será que precisa de ser mais consistente? Ou será que precisa antes de ser mais sociável?

Este é um excelente exercício de autoconhecimento, pois não só permite fazer uma análise sobre os motivos pelos quais não concretizou certas metas, como ainda coloca a responsabilidade dentro de si em vez de fatores externos.

Após identificar as áreas onde precisa de crescer, vai não só desenvolver o seu autoconhecimento, como também vai poder melhorar essas áreas se assim o desejar.

23. O que é capaz de fazer pelos outros?

Alguma vez pensou naquilo que é capaz de fazer pelas outras pessoas? O que é capaz de fazer pela sua família, pelos seus amigos, pelos seus colegas de trabalho, e por completos desconhecidos?

Esta pergunta mede os seus níveis de empatia. Mas melhor do que saber aquilo que é capaz de fazer, é pensar em tudo aquilo que já fez pelos outros até hoje.

Que ações já praticou para beneficiar outras pessoas sem receber nada em trocar?

É capaz de agir pelo mero benefício de outras pessoas, ou sente que a vida não foi justa consigo e como tal, não faz absolutamente nada por ninguém? Se for esse o caso, não se preocupe, não estou aqui para o julgar.

Quero apenas que se entenda a si mesmo e perceber se é capaz de ajudar outras pessoas e até onde está disposto a ir. Não é difícil de perceber o poder desta reflexão.

Existem pessoas que são mais altruístas e outras que não pensam nos outros, e ambas são igualmente dignas. É importante entender qual das duas é.

24. Quais as suas razões para os seus comportamentos mais comuns?

Na publicação “Self-knowledge”, a professora e filósofa Brie Gertler diz o seguinte:

“A minha capacidade de conhecer as minhas atitudes origina na minha capacidade para as moldar, alinhando-as com os meus motivos.”

– Brie Gertler

O objetivo não é desconstruir a sua personalidade, mas perceber o porquê dos seus comportamentos mais comuns. Comece por os identificar. Quais são os comportamentos que reproduz com mais frequência?

Para o ajudar a identificar os seus comportamentos mais comuns, para além de meditar sobre o assunto, pergunte também às pessoas que o conhecem melhor e às que passam mais tempo consigo.

Tem alguma conduta ou comportamento que surja frequentemente? Com por exemplo:

Assumir a liderança em atividades de grupo sem ninguém lhe pedir nada. 

Demorar demasiado tempo a preparar-se para sair de casa de manhã.

Ser demasiado analítico quando faz as suas compras para o mês.

Fazer uma tempestade num copo de água com problemas irrelevantes.

Ficar atrapalhado quando recebe elogios.

Estes comportamentos têm uma razão para existir. Sim, talvez façam apenas parte da sua essência, mas já se perguntou porquê? Ajudá-lo a desvendar os mistérios da sua essência é um dos objetivos deste artigo.

Mais importante do que identificar os seus comportamentos mais comuns, é entender a similaridade entre os de hoje e os de antigamente.

Se é uma pessoa extremamente curiosa, essa curiosidade hoje em dia pode manifestar-se de uma forma completamente diferente de há 15 anos atrás. O mesmo pode ser dito sobre ser-se pessimista ou analítico.

Comece por rever mentalmente os seus comportamentos mais comuns de hoje, e veja como se relacionam com os do passado. Tente agora entender quais os motivos mais profundos que o levaram a ter esses comportamentos ao longo da sua vida.

Conhecer os seus motivos intrínsecos irá aperfeiçoar o seu autoconhecimento.

25. O que mudaria na sua vida instantaneamente se tudo fosse possível?

Na sua opinião, o que melhoraria a sua vida de um dia para o outro? Mais do que um exercício de desenvolvimento pessoal, é importante que entenda o que gostaria de manifestar.

A resposta a esta pergunta pode fazê-lo lembrar-se das suas metas inalcançadas do passado. Embora essas memórias possam ser dolorosas, dão-lhe informação sobre o seu caráter, e essa informação pode criar mudanças positivas no presente.

Ninguém realiza todas as suas ambições. Aprendemos a aceitar isso. Muitos de nós até são bastante felizes sem ter realizado a grande maioria dos seus sonhos antigos.

Mas deixando agora de ser realista, se tudo fosse possível, se aparecesse um génio da lâmpada e lhe concedesse todos os seus desejos, o que pediria?

E mais importante ainda, porquê?

26. Qual a mudança que gostaria de ver no mundo?

Se pudesse escolher uma única mudança à escala global, qual seria? Pense criativamente, não se limite apenas às respostas mais dadas como “paz mundial” ou “acabar com a fome no mundo”.

Pode ressuscitar líderes políticos, disponibilizar viagens interstelares para todos, deixar as pessoas saber a data da sua própria morte, fazer com que cada pessoa nasça a saber tocar um instrumento, ou decidir que todo o mundo vive até aos 120 anos e depois acabou.

Podem ser coisas menos sensacionais como por exemplo: acabar com a corrupção, restituir determinados valores morais, abolir as redes sociais, criminalizar a hipocrisia, ou fazer com que exista meritocracia para todos em todos os lugares do mundo.

Pode ser o quanto criativo quiser, mas a sua resposta deve ter sempre algum significado especial para si.

Enquanto faz a sua escolha tenha sempre estas perguntas em mente:

Porquê essa mudança e não outra?

Porque é que essa mudança tornaria o mundo um lugar melhor para se viver?

Qual o impacto para si, para a sua família e para os seus amigos?

O que acha que aconteceria no mundo graças a essa mudança a curto, medio, e longo prazo?

Aqui vai um grande segredo:

Você escolheu essa mudança devido a determinadas vivências que experienciou na sua vida e que mexeram consigo.

Agora a parte mais importante do exercício:

Identifique as situações do seu passado com impacto emocional, que são na verdade o motivo de ter escolhido a mudança que gostaria de ver no mundo.

As experiências de vida que influenciaram a sua escolha revelam muito sobre quem você é. Aproveite para desenvolver um pouco mais o seu autoconhecimento e escreva as suas epifanias.

27. Pelo que é que não se responsabiliza, mas devia?

Esta pergunta pode ser difícil de responder devido à revolta que pode causar. Mas lembre-se de que a sua resposta serve para melhorar o seu autoconhecimento, e não para se sentir mal culpabilizando-se.

Ainda assim a dificuldade é real, uma vez que implica mudar o seu paradigma de situações onde se habitou a sentir-se injustiçado.

Todos nós temos coisas nas nossas vidas pelas quais não nos responsabilizamos, mas devíamos. Evitamos fazê-lo porque obtemos uma recompensa secundária ao não assumir a responsabilidade.

Recompensas como sentirmo-nos vitimizados, injustiçados e coitadinhos. Arranjamos desculpas para deprimir e ficar noites inteiras a ver filmes e series que nos deprimem mais ainda.

Esta pergunta é também paradoxal. Se você não se responsabiliza por coisas que sabe que devia, é porque no fundo, entende que a responsabilidade é sua.

Talvez estivesse a ignorar essas questões até agora, no entanto, existem acontecimentos na sua vida com consequências negativas cuja a responsabilidade é exclusivamente sua. Maus resultados derivados de más decisões.

Ter escolhido o curso errado, ter feito um mau investimento na sua casa, ter-se viciado em drogas, mesmo que sejam comuns como o tabaco ou álcool, ter perdido o contacto com amigos de infância, ter se estabelecido na cidade errada, ou quem sabe, ter casado com a pessoa errada.

Não me odeie. Nunca lhe disse que desenvolver o autoconhecimento ia ser agradável o tempo todo. Apenas posso garantir que no final, será uma das experiências mais gratificantes da sua vida.

Porquê assumir a responsabilidade?

“Quando começar a ver-se como o responsável por todas as coisas que não assume, mas que devia, vai redirecionar o poder para dentro de si. As circunstâncias deixarão de ter o poder. O poder passa a ser seu.“

“Quando sabe que tem o poder de causar resultados negativos, entende pelo menos que tem o poder para causar alguma coisa e que não está dependente unicamente da sorte. Só tem de continuar a tentar.”

Se o objetivo do autoconhecimento é tomar melhores decisões, porquê não começar já?

28. Pelo que é que não se perdoa na sua vida, mas devia?

Parece que chegámos às perguntas dolorosas. Prometo-lhe que haverá mais perguntas agradáveis antes do fim deste artigo. Mais uma vez, lembro que o objetivo é se entender e não se culpabilizar.

Esta pergunta é praticamente o oposto da outra acima, no sentido em que você aqui já se responsabiliza por um resultado que considera negativo. A diferença, é que não é capaz de deixar ir e seguir em frente.

Para se responsabilizar por uma má escolha não precisa de se martirizar eternamente.

Como se perdoar.

  • Lembre-se de que fazemos sempre o melhor que podemos. Falhamos muitas vezes e é normal. Mas falhamos sempre enquanto fazemos o melhor que sabemos com os conhecimentos e a experiência que temos no momento.
  • Pare de pensar na situação em questão. Estar constantemente a pensar e a martirizar-se não só não vai mudar nada, como ainda vai espalhar ressentimento em todas as áreas da sua vida. Siga em frente e tome decisões mais sensatas a partir de agora.
  • Use a arte ou o desporto para extravasar os seus sentimentos. Usar a arte pode ser tanto criá-la, como apenas desfrutar dela. Neste preciso instante, enquanto escrevo este artigo, estou a ouvir a sinfonia nº 3 de Jean Sibelius, experienciar a arte torna o meu período de escrita mais agradável.
  • Pense no que pode fazer para não cometer erros semelhantes no futuro. Neste momento, viveu mais tempo do que tinha vivido na altura do seu erro. Tem mais experiência para fazer melhores escolhas.
  • Lembre-se de que não é vidente. Nunca podia ter previsto aquele desfecho com exata precisão. Na altura não havia forma de saber qual seria a consequência, nem tão pouco que haveria consequências.

Talvez tenha estado à espera da altura certa para se perdoar por algum erro do passado, assim sendo, a altura certa é AGORA.

Leu bem?

Está perdoado. Eu, o mundo, e o resto do universo precisamos que viva a sua vida de uma forma feliz, saudável e produtiva, em nome de uma sociedade melhor.

Existe outra coisa que eu, o resto do mundo, e o universo sabemos:

“O passado não pode ser alterado. Tudo o que se passa, passa-se em tempo real, no presente. Só no presente as nossas ações têm efeito”

Assim sendo, nós perdoamos-lhe e você tem de repetir agora para si mesmo:

– Eu perdoo-me. 

29. O que mais admira nas outras pessoas?

Num artigo na Psychology Today, é referido que somos capazes de ver as qualidades que admiramos nas outras pessoas porque essas qualidades estão em nós, procurando sair cá para fora.

Já parou para pensar sobre aquilo que realmente admira nos outros? Muitas vezes somos duros connosco próprios e achamos que nunca seremos tão bons quanto o nosso amigo y ou o nosso colega x.

Somos o nosso próprio carrasco. Vemos qualidades nos outros que pensamos serem inatas e acreditamos assim que jamais as poderemos desenvolver. Colocando agora de parte o lado negativo, use esta informação para desenvolver o seu autoconhecimento.

Pense nas pessoas que mais admira e nas suas qualidades. Apesar dessas qualidades poderem não se manifestar em si, identificá-las melhora o seu autoconhecimento trazendo-lhe clareza sobre as qualidades escondidas que tem, mas que precisa de trabalhar.

30. O que é que espera da vida?

Costuma pensar sobre aquilo que espera da vida, ou a é a primeira vez que se faz esta pergunta? Aquilo que espera vida diz-lhe muito sobre a sua atitude em geral. Se não espera nada é porque já desistiu de muitas coisas. Todo o mundo tinha sonhos quando era novo.

Pode também ter o problema inverso, esperar demasiadas coisas da vida. No entanto, quem sou eu para lhe dizer que quer demasiado?

Realiza ações para conquistar aquilo que quer ou passa pelos dias sem pensar muito sobre isso?

Esta não é uma chamada à ação, mas antes à atenção. A ideia é entender como se tem comportado até agora relativamente às suas metas ou à sua inexistência.

Se está perdido e não tem controlo, reconheça esse facto. Como já foi dito, o autoconhecimento é algo em constante mudança. Quem você é hoje não é quem você será amanhã, aproveite esse facto para se melhorar a si mesmo.

Se calhar o que espera até são coisas bastante simples, como ler bons livros, andar de bicicleta, dar passeios na natureza, ter bons amigos e ter saúde.

No fundo, o importante é descobrir porque espera da vida o que espera, e perceber de que forma tal contribui para o seu autoconhecimento.

31. O que o faz sentir-se inferior? 

Esta é mais uma pergunta desagradável, mas importante para o seu autoconhecimento.

Onde é que a sua autoestima é mais sensível? Será durante uma situação especifica, como num jantar de família? Será quando aprende algo novo? Ou será quando está perante pessoas com determinadas competências ou de um certo status?

“Vivemos numa era de superficialidade por causa das redes sociais. Parece que todo o mundo quer parecer glamouroso e exibir uma agenda cheia de acontecimentos interessantes. Esquecemo-nos de que essas vidas são fabricadas e não reais.”

Ninguém tem uma vida só com pontos altos e conquistas. Além do mais as pessoas com mais metas alcançadas costumam ser também aquelas com maior número de fracassos.

É possível que não haja nada que o faça sentir-se inferior. Pode ter chegado a uma fase da sua evolução em que já não se importa com as coisas que o deixavam desconfortável.

Se assim for pode ignorar a pergunta. Caso contrário, entenda o seguinte:

Não são as situações que o fazem sentir-se inferior, mas sim a perceção que você tem de si mesmo nessas situações.

32. É mais otimista ou mais pessimista?

Sabe qual dos dois tem mais tendência para ser? E por favor não me diga que é um realista. Normalmente as pessoas que dizem isso são as mais pessimistas. Para o ajudar a perceber qual dos dois é, pense no seguinte:

A sensação de otimismo é uma espécie de antecipação agradável. É como se soubesse que algo de maravilhoso está prestes a acontecer. É uma sensação excitante por um futuro que está quase a chegar.

O pessimismo, por outro lado, traz consigo uma sensação de impotência. Há na mesma uma antecipação relacionada com o futuro, só que há também uma sensação de fatalismo que lhe diz que nada do que você faça vai impedir um acontecimento negativo.

O otimismo e o pessimismo podem também ter as suas fases. Eu por exemplo, tenho tendência a sentir-me mais otimista no inverno quando chove, e mais pessimista no verão nos dias de muito calor. Um pouco ao contrário da maioria eu sei.

Quando os seus planos não lhe correm bem fica desiludido, ou esquece rapidamente e pensa que será melhor da próxima vez? Culpa a sua incompetência pelos erros, ou vê-os como aprendizagens que podem ser utilizadas mais tarde? 

Consegue perceber aqui o pessimismo da primeira situação em contraste com o otimismo da segunda? A nossa visão fica por vezes turva e confundimos o positivo com o negativo e vice-versa.

Reflita sobre esta pergunta:

Sente que vai ultrapassar as barreiras que se vão atravessar no seu caminho, e que a vida lhe reserva ainda muitas experiências positivas?

Saber se é mais otimista ou mais pessimista é importante para o seu autoconhecimento porque é um reflexo da sua autoestima.

Já agora saiba que está comprovado que o otimismo reduz a probabilidade de AVC´s em pessoas acima dos 50.

33. O que deseja que os outros vejam em si?

Gostamos que as outras pessoas vejam o nosso melhor. Mas será que aquilo que consideramos o nosso melhor é o mesmo que os outros consideram? Será que estamos na realidade a ser narcisistas quando tentamos mostrar o nosso melhor?

Aquilo que deseja que os outros vejam em si, são as qualidades que você admira nas outras pessoas e que acredita que tem. É possível até que já tenha sido elogiado devido às mesmas.

Os outros veem-nos através dos seus filtros. Existem características em nós que vemos como qualidades, mas que outras pessoas veem como defeitos.

No entanto, é possível que até nem queira demonstrar qualidades e força às outras pessoas. Talvez queira mostrar vulnerabilidade, ou mesmo aparentar ser fraco e ingénuo de forma a obter simpatia e ajuda.

As nossas crenças têm uma grande influência na maneira como vemos as outras pessoas. De qualquer das formas, a maioria das pessoas está mais preocupada pela forma como é vista do que com os outros.

Mas para aquelas que até reparam em si, como é que gostaria de ser percecionado?

34. O que não deseja que os outros vejam em si?

Mais uma vez, até pode preferir esconder as suas forças em vez das suas fraquezas. Embora pareça contraintuitivo, tal acontece quando as pessoas têm medo de encadear os outros com o seu brilho.

Fingem-se burras e desajeitadas para não fazerem os outros sentirem-se inadequados. Como já deve estar a perceber tudo se resume ao motivo. O motivo é o que lhe vai trazer autoconhecimento.

Porque é que você esconde aquilo que esconde? E esconde a toda a gente ou a algum grupo de pessoas em particular?

35. Faça o teste das 16 personalidades.

O teste das 16 personalidades, também conhecido como MBTI, vai revelar-lhe que tipo de pessoa você é de uma forma bem detalhada e profunda.

O MBTI foi criado durante a segunda guerra mundial por duas professoras, Isabel Myers e Khatarine Briggs, mãe de Isabel. Isabel e Khatarine desenvolveram o teste baseado no trabalho do famoso psiquiatra Carl Jung.

Com este teste melhorei muito o meu autoconhecimento. Descobri o motivo de alguns dos meus comportamos, e aprendi a desconstruir a maneira como interpreto a realidade e comunico com o mundo.

O meu tipo de personalidade é o INFJ, e desde que o descobri, não parei de aprender sobre o mesmo, o que tem trazido melhorias consideráveis à minha vida.

Existem várias formas de perceber o mundo. Há pessoas que são mais intuitivas e outras mais sensoriais. O mesmo pode ser dito sobre a forma como tomam decisões. Existem pessoas mais racionais e outras mais emocionais.

A maior vantagem de saber o seu tipo de personalidade é a de poder descobrir mais sobre si mesmo através de canais de Youtube e de Blogs dedicados ao seu tipo. Só precisa de saber qual deles é.

Pode fazer o teste aqui.

36. Descubra se sofre do efeito de Dunning–Kruger.

Quem não conhece pelo menos uma pessoa daquelas que acha que sabe tudo acerca de todos os temas?

Se conhece alguém que tem sempre opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, e ainda acredita estar à altura dos maiores peritos no assunto, então é provável que essa pessoa esteja sob o efeito de Dunning–Kruger.

O efeito de Dunning–Kruger é um fenómeno que acontece quando algumas pessoas acreditam que são tanto ou mais competentes, dentro de uma certa área, do que outras evidentemente muito melhores que elas.

Têm uma ilusão de superioridade e parecem não entender o quanto pouco sabem sobre um assunto, não importa o tamanho da sua incompetência dentro do mesmo.

Chegam ao ponto de culpar o seu ambiente e as outras pessoas pelos seus fracassos sendo incapazes de ver a sua inaptidão.

É importante que conheça este fenómeno para perceber se sofre do mesmo ou não. A melhor forma de o fazer é olhar para os seus resultados dentro de uma determinada área, e pensar sobre a maneira como se vê a si mesmo relativamente à mesma.

Por exemplo, pode achar que é um guitarrista virtuoso, mas quando toca ao pé de outras pessoas elas vão-se embora ou tampam os ouvidos.

Se pensar que elas reagem dessa forma porque não entendem o seu génio por ser tão à frente do seu tempo, pense duas vezes.

37. Descubra se sofre da síndrome do impostor.

A síndrome do impostor é quando acha que não é bom o suficiente e que o mérito que lhe é dado não é merecido. Pode acontecer em diversos campos, tais como no seu trabalho, nalguma habilidade que possua, ou até na forma como demonstra o seu intelecto.

Acha que a sorte tem um papel importante nos seus resultados? Sente que no fundo, você é uma fraude que os outros podem descobrir a qualquer momento?

A síndrome do impostor leva as pessoas a serem excessivamente meticulosas com o seu trabalho ao ponto de o prejudicar. Não importa o quanto competente seja nalguma coisa, pode achar que não é tão bom quanto as outras pessoas o percecionam.

Nem mesmo a evidência de ter tido um desempenho fenomenal o convence.

Calcula-se que 70% das pessoas vão ter pelo menos um episódio da síndrome do impostor durante as suas vidas.

Se acha que pode sofrer desta síndrome, é importante perceber quando e em que situações se sente como um impostor. Quero recordar-lhe, mais uma vez, que o importante é aumentar o seu autoconhecimento e não se julgar.

38. Identifique o lado tóxico da sua personalidade.

Todos temos uma parte tóxica dentro de nós. Seja pessimismo, criticar os outros, dificultar a vida a outras pessoas propositadamente, ou descarregar a raiva nelas.

Fica zangado quando outras pessoas têm opiniões que diferem das suas? De que forma e em que circunstâncias descarrega noutras pessoas?

É possível que se torne tóxico nas alturas em que é infeliz ou quando não está a tomar conta das suas necessidades. Quando é tóxico suga a energia de outras pessoas que deveria ter obtido de outra forma.

Ser tóxico não faz necessariamente de si má pessoa. Às vezes são apenas fases em que age de uma forma que deixa o pior de si vir ao de cima. Nessas fases deixa de ser assertivo e ultrapassa os limites dos outros. Resta saber se tem consciência disso ou não.

Identificar o seu lado tóxico é mais um grande passo na conquista do seu autoconhecimento.

39. Aprenda a observar-se no momento.

Existe um conceito chamado de autoconhecimento de estado. O autoconhecimento de estado é a capacidade que um indivíduo tem de se observar em tempo real, e entender os seus comportamentos e as suas emoções.

Se quer desenvolver o seu autoconhecimento, é fundamental que aprenda a observar-se a agir e a reagir no momento. Esta prática é quase o oposto de meditar permanecendo quieto e acalmando a mente.

O mais difícil é lembrar-se de a executar, uma vez que necessita de se recordar de a fazer durante uma interação social, ou numa situação que envolva ação e emoção.

Embora os estudos sobre o autoconhecimento de estado tenham servido para avaliar o quanto as pessoas estão cientes de si mesmas durante determinados momentos, nada o impede de o realizar propositadamente para aprender a entender-se melhor.

O autoconhecimento, no geral, requer não só que conheça a sua personalidade de uma forma abrangente, mas também que entenda as suas mudanças emocionais e de comportamento em tempo real.

40. Que estratégias usa para disfarçar os seus problemas?

Algumas pessoas usam drogas, outras distraem-se com videojogos, mas ainda assim, nos dias de hoje o subterfúgio mais comum é o entretenimento em excesso.

“Filmes, series, redes sociais e smartphones. A arte e a tecnologia outrora serviram o propósito de melhorar as nossas vidas. Hoje, são arquitetados para nos retirar o nosso poder de decisão, assim como a nossa capacidade de pensamento crítico.”

“Pode pensar que no fundo detém o poder sobre as suas crenças e formula sozinho as suas opiniões. A verdade é que você não tem poder nenhum quando é envenenado lentamente sem se aperceber.”

Transforma-se numa pessoa formatada para satisfazer uma agenda política que nunca foi sua.

A única maneira de combater a manipulação dos seus ideais é decidir não se expor a música, filmes, redes sociais ou qualquer tipo de entretenimento quando este é superficial e criado por pessoas só querem o seu dinheiro.

Aprenda a julgar os conteúdos que consome.

Voltando agora ao seu autoconhecimento, qual o meio que usa para escapar dos seus problemas? Pode ser difícil para si reconhecê-lo, uma vez que pode pensar nessa atividade como algo que gosta, e não que usa para se entorpecer.

Para o ajudar a despertar, pense em todas as coisas que faz que lhe dão gratificação imediata sem lhe trazer qualquer tipo de realização, e pense em quanto tempo dedica a essas atividades.

Se passa horas a jogar no seu smartphone ou a ver comedia no Youtube, então aí tem. Esse tipo de atividades nunca podem fazê-lo sentir-se realizado. Pelo contrário. Vão retirar a sua atenção daquilo que é realmente importante.

Identificar as artimanhas que usa para fugir aos seus problemas é uma das melhores coisas que pode fazer para desenvolver o seu autoconhecimento.

41. Qual o seu nível de inteligência emocional?

O conceito de inteligência emocional tornou-se muito famoso nos últimos anos. Este consiste na capacidade de entender e identificar as nossas emoções, tanto em nós como nos outros, e usar essa informação nas nossas tomadas de decisões.

Segundo um artigo na Psychology Today, uma pessoa com inteligência emocional é altamente consciente das suas emoções e tem a habilidade de as regular.

Para o ajudar a avaliar o seu nível de inteligência emocional, responda às seguintes perguntas:

O quanto analítico se torna para tomar decisões com pouca importância?

Como é que reage quando as situações fogem ao seu controlo?

O quanto está a sua autoestima dependente da opinião que outras pessoas têm de si? 

É capaz de ser funcional em situações de stress?

Pensa sobre o impacto emocional que os seus comportamentos têm noutras pessoas?

Quando falam consigo é capaz de ver para além das palavras?

É capaz de pedir desculpa?

Como lida com críticas?

Para ter mais autoconhecimento é imprescindível que saiba qual o seu nível de inteligência emocional.

42. Qual o seu nível de inteligência social? 

De que forma se comporta em diferentes situações sociais? Sabe aquilo que é apropriado e o que não é? Entende intuitivamente as regras de interação em diferentes contextos?

A inteligência social não é apenas a capacidade de identificar as pistas sociais, mas também a capacidade de criar uma conexão com outros. É muito semelhante à inteligência emocional, com a diferença de ser mais observável.

Tal como é referido num artigo na Verywellmind, as pessoas com inteligência social sabem o que dizer intuitivamente em situações sociais.

Num artigo na Harvard Business Review sobre inteligência social, é mencionado que as ações das outras pessoas reproduzem em nós as mesmas emoções que elas sentem, devido uma categoria de neurônios chamados neurônios-espelho.

Para avaliar a sua inteligência social responda às seguintes perguntas:

Quando conversa com alguém com opiniões diferentes das suas contra-argumenta imediatamente, ou deixa a outra pessoa falar à vontade?

É consciente da impressão que causa nos outros ou não se importa minimamente com aquilo que os outros pensam?

Existem situações sociais em que se sente desconfortável e sente necessidade de colocar uma máscara, ou demonstra sempre a sua verdadeira personalidade não importa o contexto?

43. Quando estiver nos últimos dias da sua vida, o que gostaria de poder dizer sobre si mesmo?

Imagine que está na velhice, e restam-lhe apenas dois ou três dias de vida. Olhando para o passado, analisando a forma como viveu, pense nas seguintes questões:

Tem orgulho em quem foi?

Está satisfeito com o que fez durante a sua vida?

Fez o que gostava ou apenas se limitou a cumprir com as expectativas impostas por outras pessoas?

Que tipo de desenvolvimento pessoal gostaria de ter alcançado?

Que viagens gostaria de ter feito?

Com quem gostaria de ter passado mais tempo?

O que gostaria de ter feito e nunca fez?

O que gostaria de ter feito mais vezes?

Vendo o quadro geral, gostou da sua vida?

O que aprendeu sobre si mesmo?

Este artigo está a chegar ao fim, e acredito que a sua simples leitura foi suficiente para desenvolver um pouco mais o seu autoconhecimento.

Eu confesso que melhorei bastante o meu. Quando iniciei a pesquisa para este guia, nunca imaginei que tivesse um efeito tão transformador em mim. No entanto, acabei por aprender muito sobre mim mesmo.

Volte aqui e releia este guia sempre que precisar. É impossível assimilar tudo de uma só vez.

Agora que estamos a chegar ao fim quero acrescentar mais duas orientações, sendo que a primeira mudou a minha vida para muito melhor ao longo dos anos, e a segunda colocarei em prática hoje mesmo.

44. Saiba que tem o poder de se criar a si mesmo.

Mudamos com o passar do tempo. Algumas coisas em nós mudam sozinhas devido a circunstâncias externas, enquanto que outras somos nós que mudamos.

Mesmo que não se lembre, a vida ensinou-lhe lições como ser mais cuidadoso nas coisas que conta, insistir mais quando tenta realizar algumas metas, ou até não se colocar em determinadas situações.

Você aprendeu a agir, e provavelmente, descobriu que as suas ações causam consequências em si e no mundo à sua volta. Ainda que por vezes, essas consequências não sejam as desejadas.

Isto serve para o relembrar de que tem poder para causar mudanças no ambiente à sua volta. Saber que tem esse poder e refletir antes de agir muda-o gradualmente como pessoa. As suas perspetivas mudam e as suas decisões também, fruto da sua autoanálise.

Tal significa que tem o poder de se criar a si mesmo. Comece a escolher quem você quer ser a partir deste instante.

45. Decida o que fazer com o seu autoconhecimento.

Tal como o Professor William L. Sparks diz na sua Ted talk, o autoconhecimento é crítico não só para atingirmos o máximo do nosso potencial, com também para a forma como nos conectamos com outras pessoas.

Aprofundar o autoconhecimento pode ser uma experiência muito gratificante por si só. Não obstante, esse conhecimento pode ter aplicações práticas.

Num artigo na Psychology today são referidas duas vantagens que advém do autoconhecimento que considero as mais úteis:

  1. Permite-nos efetuar mudanças positivas.
  1. Impede-nos de fazer avaliações irrealistas acerca das nossas habilidades e capacidades.

No final, a decisão é sua. Se decidir embarcar na jornada do autoconhecimento, vai acabar por descobrir também de que forma é que este pode mudar a sua vida.

Ou quem sabe, ajudá-lo a aperceber que não precisa de mudar nada, porque afinal de contas, tudo está bem da maneira que está.

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