Como ser menos consumista: 15 dicas que ninguém lhe revela

O consumismo é uma ordem social e económica que incentiva a compra de bens e serviços em quantidades cada vez maiores. Esta é a definição de consumismo num artigo do Science Daily.

Não existe dúvida de que começamos desde muito cedo a ser incentivados a nos tornarmos materialistas. Na infância, vemos uma criança com brinquedos melhores do que os nossos, e percebemos que os outros miúdos no recreio preferem brincar com ele do que connosco.

Ao longo do nosso crescimento, a televisão, a rádio e todas as formas de media ensinam-nos que para sermos aceites, temos de usar roupas de uma certa marca, assim como ténis de um certo género.

Mais tarde, já na vida adulta, o consumismo dispara. Trabalhamos e podemos comprar o que quisermos, pelo menos assim nos fazem crer as empresas de crédito.

Podemos pagar tudo em suaves prestações mensais. Tão suaves que não as sentimos. A não ser que as nossas circunstâncias se alterem.

Como o meu sonho de consumo se tornou num pesadelo.

Criei problemas financeiros desnecessários várias vezes nos meus 20 anos. Tomei más decisões, como comprar um smartphone topo de gama em 12 vezes sem juros, pagando apenas uma taxa para “abertura do processo”.

Durante os meses seguintes, surgiram outras necessidades mais importantes que tiveram de ser adiadas para que eu pudesse pagar a minha suave prestação mensal.

Há muitos anos atrás, todos os meus colegas tinham carros que estavam a pagar em prestações. Carros bonitos e vistosos. Eu via-os a chegar ao trabalho nos seus belos Audis, BMW´s e Mercedes e ficava com inveja.

Após pensar sobre o assunto, e uma vez que os meus colegas tinham o mesmo salário do que eu, cheguei à conclusão de que eu também podia ter um!

Não importava se tivesse de o pagar em 7 anos, ou se a prestação era superior a 50% do meu salário. Se eles conseguiam e ganhavam o mesmo, eu também conseguia!

Este foi um erro que paguei bem caro. Fiquei a pagar o meu carro de sonho muito depois de ter de o vender por um preço ridículo, comparativamente àquele que paguei por ele, devido aos graves problemas mecânicos que desenvolveu.

Aprendi a nunca mais comprar nada a crédito.

Quando preciso de comprar um carro, junto o dinheiro todo primeiro e compro um usado, pode ter um risco ou outro na pintura, um rasgo ou outro no banco, desde que funcione sem problemas.

Enquanto não junto o dinheiro todo, ando de autocarro.

O seu buraco emocional está a sugar o seu dinheiro?

Já imaginou o quanto horrível seria trabalhar todos os dias, para receber o seu ordenado no fim do mês, e dá-lo na sua quase totalidade a pessoas que são peritas em fazê-lo sentir-se mal consigo mesmo?

E se eu lhe dissesse que é isso que acontece na realidade?

No início do século XX, um publicitário chamado Edward Bernays desenvolveu estratagemas para induzir as pessoas a comprar coisas de que não necessitam.

Edward Bernays

Este é o homem responsável pelas técnicas de manipulação emocional mais usadas hoje em dia no marketing.

Edward Bernays era, curiosamente, sobrinho do famoso psiquiatra Sigmund Freud. Muitas das suas ideias foram desenvolvidas com a ajuda do seu tio, o qual teve um papel fundamental na ascensão da sua carreira.

Bernays conseguiu a técnica para tornar qualquer produto apelativo. Técnica essa que consistia em despertar a insegurança do ser humano, e fazer as pessoas sentirem-se cada vez piores com elas próprias.

Até acharem que a solução para a sua infelicidade, era adquirir um determinado conjunto de loiças, mala em pele de crocodilo, ou o que quer que fosse que as empresas que contratavam Bernays queriam vender.

Foi também quem surgiu com o conceito de associar emoções a um produto, em vez de realçar as suas características.

Em vez de publicitar um carro como sendo durável e fiável, publicitá-lo-ia como sendo o carro para as pessoas bonitas e inteligentes. Inconscientemente, tal significaria que se você conduzisse outro modelo, seria feio e burro!

Este é o marketing utilizado pelas empresas hoje, o marketing indutor de falta de autoestima. Não admira que haja tantas pessoas a acreditar que só serão felizes tornando-se multimilionárias.

As 15 dicas que ninguém lhe revela para ser menos consumista.

Uma vida minimalista pode trazer muita paz de espírito e felicidade.

Optei por esse estilo de vida, e embora os primeiros dois meses fossem difíceis, não posso negar que ver o meu dinheiro a acumular-se na minha conta bancária trouxe-me uma enorme paz de espírito e esperança para o futuro.

Com um pouco de informação e planeamento, você também pode conseguir ser menos consumista. A maior parte das 15 dicas que revelo a seguir requerem algum desenvolvimento pessoal da sua parte.

Contudo, garanto-lhe que vale a pena o esforço. De nada lhe serviria disciplinar-se durante duas semanas para depois voltar aos seus hábitos de consumo impulsivo. Estas são as dicas que me trouxeram resultados definitivos:

1. Ignore as suas emoções.

Não se deixe levar pelas suas emoções, não é você que as controla, mas sim as influências a que se expõe

Fazer compras tem uma forte componente emocional. Quando sente uma grande vontade de adquirir um produto é sinal de que deve fazer precisamente o contrário.

2. Fuja dos centros comerciais.

Para quem quer deixar de ser consumista, os centros comerciais são o pior sítio onde passar o seu tempo. Não se engane a si próprio achando que vai apenas ver ou que vai só dar um passeio.

Mesmo que não compre nada das primeiras vezes, nos meses seguintes vai acabar por comprar alguma coisa pela qual passou várias vezes durante os seus inocentes passeios e que ficou na sua cabeça.

Eu costumava dar-me a desculpa de que, se tinha passado pelo meu objeto de desejo várias vezes sem o comprar em dias diferentes, é porque tinha disciplina, e como tal, podia comprá-lo.

Agora quando quero passear vou a um parque. Sugiro que faça o mesmo.

3. Não faça créditos.

Se precisa de pagar às prestações é porque não pode pagar. Memorize a última frase. A não ser que tenha de fazer uma cirurgia urgente e corra perigo de vida, não existe motivo nenhum para contrair dívidas.

4. Chame as coisas pelo nome.

Pare de chamar “investimento” a coisas que desvalorizam. Um carro não é um investimento (eu que o diga). Tal como um computador ou um smartphone.

Se aquilo em que gasta o seu dinheiro não manter ou aumentar o seu valor ao longo do tempo, não lhe chame investimento, chame-lhe passivo.

5. Aprenda a poupar.

Se poupar todos os meses vai tomar-lhe o gosto. Vai acabar por sentir mais prazer quando olha para o seu saldo bancário do que quando compra uns sapatos novos.

A técnica que utilizo para poupar, é a de transferir para outra conta uma parte do meu ordenado no próprio dia em que o recebo.

Durante o dia apenas carrego comigo o cartão multibanco da primeira conta, desta forma, é como se a conta onde poupo não existisse.

6. Visite museus.

Este conselho pode parecer estranho, mas funcionou comigo. O lugar onde mora pode não permitir que o faça, mas se puder, visite museus, de preferência gratuitos. Esta é uma forma de se manter longe dos centros comerciais.

7. Lembre-se de que as necessidades estão largamente exageradas.

Eu achava impossível ficar um mês inteiro sem comprar nada para mim. Pensava que devia oferecer-me algo todos os meses pelo simples facto de que o merecia. Afinal de contas, tinha trabalhado para isso.

De onde será que fui tirar essa ideia? Cof cof Edward Bernays…

8. Não queira acompanhar as tendências.

Não precisa de comprar um smartphone novo todos os anos. Apesar de a obsolescência programada dos aparelhos eletrónicos, as marcas são obrigadas a dar uma garantia de 2 anos.

Em relação a roupas, esqueça as modas. O conceito de vestir-se bem não muda de ano para ano. Aquilo que tinha classe e elegância há cinco atrás continua a ter classe e elegância hoje.

9. Lembre-se dos vilões.

Sempre que faz uma compra, transfere dinheiro da sua conta para a conta de outra pessoa ou outras pessoas. Por mais que nos refiramos às marcas pelos seus nomes, estas são administradas por pessoas.

E essas pessoas tornaram-se peritas em fazê-lo sentir-se mal para ficarem com o seu dinheiro.

É mesmo isso que quer? Trabalhar todos os meses para depois deixar-se manipular por pessoas que o tornam infeliz? Por favor acorde.

10. Não se compare aos outros.

Quando vir alguém com um smartphone topo de gama, ou um carro desportivo novo a estrear, não se compare a essa pessoa.

Você não sabe a vida dela. Não sabe quanto ela ganha e que tipo de prisão criou para si mesma de forma a poder ostentar aqueles bens de luxo.

11. Quanto mais dinheiro tem, mais opções tem.

Ter dinheiro no banco aumenta as suas opções de vida. Quando gasta tudo aquilo que ganha, é como se amarrasse as suas mãos e o seus pés.

Ser consumista elimina a sensação de que existem experiências fantásticas à sua espera, na hora certa.

12. Prefira a sensação de segurança em vez da ostentação.

Para além do dinheiro na sua conta aumentar a possibilidade de experiências novas, aumenta também a sensação de segurança. Por vezes, pergunto-me se essa sensação de segurança não será o segredo da felicidade que tantos buscam.

Saber que tem os meios financeiros para se desenvencilhar caso surja um imprevisto é uma sensação muito gratificante e insubstituível.

13. Escolha uma vida com menos stress.

Num estudo publicado no Springer Link, participantes adeptos do minimalismo relataram ter uma vida com menos stress devido a possuírem menos bens.

Alguns deles afirmaram que só depois de se terem tornado minimalistas é que descobriram que o materialismo era a fonte da sua ansiedade.

Viver num ambiente caótico e desarrumado cria stress, sem que tenhamos sequer consciência disso!

14. Desenvolva autodisciplina e abdique da gratificação imediata.

Um estudo comprova que o hedonismo tem uma relação imediata com o materialismo.  

A necessidade de estímulos constantes prejudica o bem-estar. Se quer ter paz, harmonia, e sentir-se grato pela sua vida, precisa de autodisciplina.

15. Escolha experiências em vez de bens materiais.

Um estudo publicado no Sage Journals demonstrou que esperar por uma experiência, traz mais felicidade do que esperar pela aquisição de um bem material.

Observou ainda que após o término da experiência, a felicidade mantém-se por mais tempo, do que a felicidade após a aquisição de bens materiais.

As experiências não precisam de ser dispendiosas. Pode ter experiências sem gastar um tostão.

Para além da sugestão dos museus que uso pessoalmente para manter-me afastado dos centros comerciais, existe ainda uma infinidade de coisas que pode fazer gratuitamente.

Passeios em parques, picnics na praia, desportos ao ar-livre, concertos e festivais em épocas festivas.

A antecipação por uma experiência é muito mais prazerosa do que a antecipação pela compra de bens materialísticos. Use esta informação para mudar os seus hábitos. Temos apenas uma vida para viver.

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José Lança

José Lança é o criador do blog Desbloqueie-se, onde milhares de pessoas espalhadas pelos quatros canto do mundo já foram procurar inspiração para os seus desafios. Dedica o seu tempo à escrita de não ficção, explorando temas que abrangem desde o desenvolvimento pessoal ao condicionamento social, passando por tudo aquilo que tem impacto na produtividade pessoal de cada indivíduo. Acredita que o seu propósito de vida é atingir a maestria num único campo, ao longo de toda a sua vida.
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