Porque a consistência bate a eficiência

De todas as vezes que começo a escrever um novo artigo, a história repete-se. Começo com um tema, escrito no topo da página, e penso para comigo mesmo que não conseguirei escrever uma única palavra sobre o mesmo.  

Apesar de já ter escrito mais de 100 artigos ao longo dos anos, com publicações no empreendedor.com, na M.A.D.E magazine e na Zen Energy, não me sinto mais eficiente a fazê-lo. 

Não só sinto que não me tornei mais eficiente, como ainda acho que demoro mais tempo a produzir um artigo do que em 2016, quando comecei a publicar os meus textos online.

Todavia, de alguma forma, continuo a escrever artigos, apesar de a minha mente me enganar constantemente fazendo-me acreditar que jamais conseguirei voltar a criar novos conteúdos. 

Com o passar dos anos, aprendi a esquivar-me desses pensamentos involuntários de incapacidade fictícia, graças a uma qualidade que qualquer pessoa pode desenvolver: a consistência. 

O que é a consistência?

A consistência, dentro do contexto da produtividade pessoal, consiste em fazer aquilo que tem a fazer, não importa a sensação de inaptidão, a ansiedade de desempenho ou a falta de motivação (motivação essa que é uma treta de qualquer das formas). 

Quando sabe que é eficiente a fazer alguma coisa, sente confiança. A consistência difere nesse aspeto porque pressupõe simplesmente a repetição de uma ação, ou seja, um hábito. 

Quando busca ser consistente, o que quer na realidade, é criar rotinas. Preferencialmente diárias. Conheço escritores que durante uma sessão de escrita de 1 hora são capazes de escrever com a maior das facilidades 1000 palavras. 

Enquanto que eu, durante 1 hora, acabo muitas vezes por escrever apenas duas ou três ideias a desenvolver, o que dá cerca de 30 palavras! Noutras alturas, talvez consiga pegar numa dessas ideias previamente definidas, e se for 1 hora muito produtiva escrever mais 300! 

Não obstante, já produzi cerca de 10 vezes mais textos do que a maioria deles! E o motivo, é porque tenho 4 horas do meu dia dedicadas a estar sentado à frente do computador a tentar fazê-lo! 

Quer sinta inspiração ou não, quer me doa alguma coisa ou não, quer esteja triste, contente, deprimido, exausto ou sem ideia absolutamente nenhuma, recuso-me a ser uma marionete das minhas emoções, e todos os dias, existe um período de 4 horas durante o qual não faço rigorosamente mais nada sem ser perseguir as minhas metas. 

Às vezes sou eficiente, outras vezes não. O importante é que todos os dias estou lá. 

Torne-se consistente a ser consistente! 

Quando se desviar do seu caminho, volte a focar-se novamente e dessa forma, construirá consistência. Você vai vacilar, mas é mesmo suposto. Não se martirize quando não fizer as suas rotinas um dia, uma semana ou mesmo um mês. 

Os grandes objetivos conquistam-se no longo prazo, e durante a jornada é necessário reajustar a trajetória diversas vezes. Se tiver mesmo dificuldade em ser consistente, lembre-se de que o tempo vai passar de qualquer das maneiras faça o que fizer. Assim sendo, mais vale não deixar o comboio escapar. 

Para ser consistente tem de saber aquilo que quer. 

Já se imaginou a executar ações diárias para concretizar um objetivo vago e generalista? 

Será logo à partida extremamente difícil definir quais as ações que tem de executar. Se tiver de estar constantemente a tentar descobrir o que tem de fazer a cada dia, tornar-se-á quase impossível fazê-lo diariamente.  

O que o move? 

Quando falamos de objetivos alcançados a longo prazo, os resultados não podem ser a sua motivação porque no começo, dificilmente os vai obter. Precisa de descobrir alguma coisa que lhe sirva como combustível, pelo menos até criar autodisciplina. 

Recordo-me de que quando comecei este blog, durante os primeiros meses o tráfego era quase inexistente. O que me fazia sentar todos os dias a escrever artigos era a perspetiva de estar a desenvolver uma habilidade.  

Ter a noção de que a prática deliberada da escrita poderia levar-me a ser bom nalguma coisa com o passar dos anos, foi o suficiente para que me mantivesse consistente, mesmo com a ausência de resultados. 

Descubra o que move a si. Precisará disso para se manter na corrida.

A consistência leva à eficiência. 

Não importa o nível de onde começa, a consistência levá-lo-á a tornar-se eficiente. Acredito que é impossível praticar uma habilidade diariamente e não ficar bom na mesma.  

No entanto, por mais eficientes que nos tornemos através da prática, não nos podemos tornar dependentes da nossa autoconfiança para agirmos. Haverá dias em que a inspiração não está connosco, e em que o que fazemos habitualmente com uma perna às costas nos corre mal.  

Esses dias serão dias “chave”, porque é precisamente nessas alturas, em que tudo nos corre mal, e mesmo assim fazemos o que nos comprometemos a fazer, que desenvolvemos rotinas e a nossa resistência à adversidade. 

Se tem o desejo de atingir a excelência, de realizar metas ambiciosas ou de desenvolver habilidades que poucos conseguiram até hoje, precisa de rotinas consistentes. 

A eficiência não está sempre no seu controlo, enquanto que a consistência engloba tudo aquilo que pode fazer propositadamente todos os dias, e esta última pode mudar toda a sua vida. 

10 comentários em “Porque a consistência bate a eficiência”

  1. No livro Pense e fique Rico do Napoleon Hill, descreve a disciplina ou consistência um fator mais importante para a obtenção de riquezas do que o talento natural e inteligência.

    Existem estratégias para implementar comportamentos nas nossas vidas.

    Usando o metaprograma do afastar da dor e aproximação do prazer.
    Praticar sempre o mesmo comportamento à mesma hora do costume.

    Responder
  2. Achei seu post muito interessante, mesmo que a eficiência não esteja em nosso controle, a consistência nos leva a ela, fantástico a ligação e essa ideia, adorei!
    Parabéns pelo post, você tem razão, serei mais consistente a partir de agora.
    Beijos
    Giovanna Otuka -www.giovannaotuka.blogspot.com

    Responder
  3. Oi, José!
    Eu gostaria de ser mais consistente com meu blogue, entretanto, devido a outras responsabilidades que tenho, não consigo manter a constância em minhas postagens. Se eu conseguisse postar todas as segundas-feiras seria muito fixe. Mas não tem sido possível.
    Já tentei escrever posts mais curtos e mais superficiais para manter a consistência…
    Post bem interessante e me animou a postar algo hoje. Até meia-noite haverá algo novo por lá. Hehe 😉
    http://www.paulamusique.com

    Responder
    • Olá Paula, fico contente por ter conseguido transmitir um pouco de motivação. Se conseguires postar uma vez por semana já é muito bom, mas nós humanos temos tendência a ficar insatisfeitos rapidamente e depois queremos sempre mais, o que até é uma boa maneira de estarmos em constante evolução.

      Responder
  4. “Esses dias serão dias “chave”, porque é precisamente nessas alturas, em que tudo nos corre mal, e mesmo assim fazemos o que nos comprometemos a fazer, que desenvolvemos rotinas e a nossa resistência à adversidade. “… sem duvidas que nestes dias “chave” encontramos maneiras seguras de vencer os nossos oponentes e isto é meio caminho andado para obter o sucesso!!!

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  5. Eu acho que isso depende muito de cada um e de nossos objetivos né? Eu sempre foquei em produzir textos de forma mais eficiente e isso tornou eles mais rápidos também

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    • Excelente! Sou defensor de que quando descobrimos aquilo que resulta melhor para nós, devemos fazê-lo não importa o que os outros dizem. Cada pessoa deve descobrir as suas melhores estratégias para alcançar as suas metas.

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Nos dias que correm, cada vez mais pessoas sentem dificuldade em decidir o que querem realizar, que objetivos escolher, que sonhos perseguir. Embora nunca houvesse uma altura na história com tantas possibilidades como existem hoje em dia, sentem-se como se estivessem presas por uns grilhões e não conseguem avançar nas suas vidas. Essas amarras invisíveis que as fazem sabotar os seus objetivos inconscientemente têm um nome:

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José Lança

José Lança é o criador do blog Desbloqueie-se, onde milhares de pessoas espalhadas pelos quatros canto do mundo já foram procurar inspiração para os seus desafios. Dedica o seu tempo à escrita de não ficção, explorando temas que abrangem desde o desenvolvimento pessoal ao condicionamento social, passando por tudo aquilo que tem impacto na produtividade pessoal de cada indivíduo. Acredita que o seu propósito de vida é atingir a maestria num único campo, ao longo de toda a sua vida.
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